segunda-feira, 16 de julho de 2012

Em Defesa da Democracia no Facebook


Caros Amigos!

Tenho visto algumas manifestações no Facebook contra a Propaganda Eleitoral. Confesso que previa isso e, como candidato (Concorro a vereador em Porto Alegre pelo PSB), realizei várias conversas com os apoiadores sobre isso, criei uma Fan Page e um grupo fechado com meus apoiadores onde compartilho minhas mensagens e imagens. Não coloquei nenhuma imagem minha no Face logo de início para analisar melhor essa situação, pois procuro ser justo e não gosto de incomodar as pessoas, principalmente àquelas por quem tenho apreço.

Porém, após alguns dias de reflexão, e quem me conhece sabe que não sou de ficar em cima do muro, ou dar o discurso fácil para agradar a todos, resolvi me posicionar sobre o assunto:

"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

Acredito que tudo que é excessivo, até remédio, faz mal, porém não considero justo censurar ás pessoas e os candidatos. Você já leu os Termos de Uso do Face? Já Leu os princípios do facebook (http://www.facebook.com/principles.php)? O Facebook nasceu baseado no princípio da Liberdade e é uma forma democrática de relacionamento.

Reproduzo aqui o Princípio Numero 1: Liberdade para compartilhar e se conectar - As pessoas devem ter a liberdade de compartilhar as informações que desejarem, de qualquer maneira e em qualquer formato, e têm o direito de se conectar a qualquer um - qualquer pessoa, organização ou serviço - desde que ambos estejam de acordo com a conexão.

Acho que essa é uma das maiores riquezas do Face, a Liberdade, e entendo isso desde que fiz o meu perfil, primeiro optei em só aceitar convites de pessoas que conheço, não fiz como muitos que possuem diversos perfis lotados e aceitam todos que lhe acessam, também procuro não postar comentários sobre futebol e religião, nem imagens de animais mortos, violência ou toda a ordem de compartilhamentos, na verdade pouco uso o compartilhamento. Isso quer dizer que estou certo? 
Os outros estão errados?
Não! Cada um utiliza o seu face como acha melhor, ele é seu e cada um constrói sua rede com as pessoas que quiser e compartilha aquilo que quiser. Quando estou incomodado com alguém ou algo, eu excluo o perfil, bloqueio ou aciono alguns dos diversos comandos que permitem restringir as postagens, as visualizações e etc.

Por isso não concordo com aqueles que tentam censurar ou constranger os outros por causa do conteúdo que estão postando (Devemos censurar pedofilia, racismo e violência). Eu mesmo não ameacei nenhum dos meu amigos que postaram imagens contra a política na internet, não comentei e não reprimi, simplesmente respeitei. Acredito que qualquer tentativa de censura de conteúdos de um usuário pelo outro, me parece descabido, pois o usuário tenta impor ao outro um padrão e uma forma que ele acha correta, se auto declarando o “dono” do Facebook.

Acho que o usuário pode sim, e deve, se proteger de conteúdos e de pessoas que ferem seus princípios e o agridem, e para isso existem vários comandos que lhe permitem essa proteção.
Então, pelo direito a liberdade, defendo o direito das pessoas fazerem campanha contra campanha política no Facebook, e também o meu direito de fazer campanha política no Facebook. 

Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam"
Platão

Essa frase foi elabora a mais de 2000 anos e trás uma grande verdade. Dentro do princípio da liberdade, as pessoas têm direito de não gostarem de política, mas têm de respeitar quem gosta, e mais, serão governados por eles.

Tenho defendido a maior participação das pessoas na política, pois para mim, ela quase sempre foi uma coisa boa, pois desde adolescente sempre me preocupei com o mundo a minha volta, e procurei sempre me unir aos que também se preocupavam para tentar melhorar as coisas.

A vida privada é interesse de cada um, ganhar dinheiro, ter mais ou menos luxo, se dedicar a profissão e a família, mas, fazendo política a gente tem de pensar no todo, e sempre me senti um cidadão melhor fazendo algo por meu semelhante, e não é fazendo caridade ou doação para instituições, algo que respeito, mas minha forma de ajudar é melhorar a vida das pessoas, para que elas não tenham que depender da caridade alheia, é construir uma sociedade mais justa e menos desigual.

Nunca fui um alienado, poderia ser equivocado, mas não omisso, e por estar incentivando as pessoas a participarem mais da política, não posso agora me omitir, deixando de manifestar que não concordo com a tentativa de censura no facebook, mesmo que isso me custe alguns apoios. Pois é bom que as pessoas saibam como penso e não se enganem. Não represento um papel para conquistar o voto, não vou deixar de defender algo que acho correto por medo de perder apoio, ou voto, pois se fizer isso agora, que tipo de vereador serei?

Um vereador que tem medo de defender suas ideias, princípios e seus valores?

Não! Sou uma pessoa democrática e flexível aos bons argumentos, mas jamais alguém consegue algo comigo, com ameaças e com imposições descabidas, sou um homem do diálogo, não estou à venda e não faço qualquer negócio para conseguir um apoio.

Desculpe aqueles que tentaram me pedir para não entrar em polêmicas, pois isso pode trazer prejuízos eleitorais. Sei que hoje minha candidatura envolve uma série de pessoas que acreditam nesse projeto e que resolveram superar seus próprios preconceitos com a política, e se engajaram nesta caminhada, porem não serei verdadeiro com vocês se me acovardar perante essa tentativa de censura.

Lutei muito pela democracia neste país, e tomei muita porrada da polícia por defender os interesses dos estudantes e de coisas que acreditava, para agora, adulto, pai e avô, me calar a ameaças feitas por imagens na internet. É fácil postar figurinhas na internet, se esconder atrás de um monitor. Difícil é enfrentar os problemas de nossa sociedade, procurar as soluções, se dispor a ajudar, se engajar. É fácil reclamar em frente ao computador e a televisão. Estes dias ouvi uma frase legal: “Seja a mudança que você quer ver”.

“Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos”
 Sócrates

Eu quero ser digno da amizade das pessoas que denomino amigos, e para isso tenho de ser verdadeiro, por isso solicito aos que estão incomodados com a campanha eleitoral, e que acharem que a forma de se livrarem da propaganda política, é deixarem de ser meus amigos, me excluam do seu facebook, pois se nossa amizade for verdadeira não será isso que nos afastará, não será a diferença de opinião que destruirá os sentimentos que construímos. 

Com todos os meus amigos, tenho uma história que nos aproxima e nos irmana, até por isso os considero amigos, pois “A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz (George Eliot)” .
Daqui até a eleição, são apenas 3 meses, e não serão alguns meses de afastamento virtual que haverá de destruir uma amizade construída por nós com o consentimento de Deus, pois meus amigos são presentes dele para mim e como diz um provérbio popular Nunca foi um bom amigo quem por pouco quebrou a amizade”.

Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse"
(Friedrich Nietzsche)

Assim, queridos amigos, saibam que respeito mesmo suas manifestações, e os mais próximos sabem que cheguei a debater exaustivamente esse assunto, inclusive com pessoas especializadas e empresas, onde defendi a tese de que a propaganda eleitoral nas redes sociais poderia ser um tiro pela culatra. Várias pessoas poderão confirmar essa minha opinião, e se forem ver, posto muito pouco sobre isso, porém não posso me omitir.
Vi alguns políticos fazendo o discurso para torcida, e respeito, porem não é o meu caso, pois sou um cidadão antes de político, tenho meu direito a livre expressão, e não me envergonho de ser quem sou, não me envergonho de ser candidato, nem do meu partido, muito menos da minha história, pois se sou imperfeito, quem não é?

Quem é bom o suficiente para determinar quem é bom ou ruim, ou quem é do bem e do mal?

Não concordo quando dizem que todas as pessoas que fazem política são ruins, que são desonestos, pois conheço pessoas ocupando funções políticas que são boas, dedicadas e trabalhadoras, e conheço muitos profissionais de outras áreas, que fariam vergonha ao pior dos políticos.

A internet é uma forma democrática e gratuita de alguns candidatos, que não possuem grandes quantidades de dinheiro, assim como eu, divulgarem suas ideias e suas propostas, calar a nossa voz é favorecer aqueles que já estão no poder, que tem estrutura, ou que têm muito dinheiro para encher as ruas de placas, comprar votos, inaugurar comitês.

A censura na internet só favorece aos que estão no poder e que tem apoios de corporações, eu, assim como muitos outros, temos nossa história, nossos amigos, e uma rede social gratuita que nos auxilia a transmitir nossas ideais. Todas as ferramentas que uso, blogs, face, são gratuitos, e tentar impedir que usemos essa ferramenta é favorecer ainda mais, quem já está bastante favorecido nesta eleição. O engraçado é que para protestar acabamos por favorecer exatamente as pessoas e práticas que abominamos e que desprezamos.

Assim como compreendo as manifestações de todos, espero que compreendam a minha e desejo que possamos, com este debate, aperfeiçoar a nossa democracia, exercita-la e aprender com isso.

Grande Abraço a Todos!

"Boas pessoas não precisam de leis para obrigá-las a agir responsavelmente, enquanto as pessoas ruins encontrarão um modo de contornar as leis."
Platão


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Memórias e reflexões de uma caminhada à Câmara de Vereadores de Porto Alegre



Queridos Amigos

Resolvi concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. É uma missão que me impus e um desafio também. A história é longa e, portanto, precisaria de vários capítulos para poder contá-la.

Desde o dia 11 de Abril eu não posto nada aqui, pois estava pensando como faria para melhor utilizar esse espaço que criei para dividir, com o mundo, minhas experiências, sonhos e reflexões. Sempre quis que este blog fosse útil para mim e também para as pessoas que, por qualquer motivo o leem. Como estou vivendo algo novo em minha vida, precisava também refletir sobre essa ferramenta, pois quem me conhece sabe que sou um pouco sentimental, e algumas coisas criam simbologia e importância para mim.

Esse blog têm sido importante nestes últimos anos, pois é uma forma de falar comigo mesmo, desabafar, refletir e de compartilhar, não gostaria de interrompê-lo, porém não posso deixar de dividir aqui o meu momento. Era como se apagasse essa etapa da minha vida, etapa que considero uma das mais importantes, portanto, resolvi utilizá-lo como uma espécie de diário de uma caminhada.

Não vou utilizá-lo para fazer a propaganda eleitoral, mas sim para dividir essa experiência como candidato, minhas inconformidades, novidades, questionamentos, histórias interessantes, depoimentos, sei lá, quero dividir com as pessoas esse período, meus medos, certezas, fortalezas e fraquezas, assim quem sabe eu possa saber por que perdi ou ganhei e também que sirva de reflexão e aprendizado para aqueles que lerem. Como diria o Rei Roberto Carlos: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi.”

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Brasileiro que vota não foge à luta!


Esse é o título da campanha do TSE incentivando o voto aos 16 Anos. Essa semana fui com minha filha caçula, Renata, fazer o seu Título Eleitoral, ela irá completar 16 anos no dia 30 de julho, e confesso que foi um momento emocionante, pois, como líder estudantil, na década de 80, lutei por essa conquista e, para mim, é uma felicidade saber que minhas três filhas, que sempre me acompanharam nos meus votos, quando eram crianças, este ano irão as urnas exercer o seu direito, conquistado com muita luta, por uma geração de jovens que cresceu em um período em que nosso país vivia sob a regência de uma ditadura militar, e na qual não nos era concedido o direito a opinião, a não ser que a mesma fosse de apoio ao regime.

Mandam no teu destino. Mas ele é teu, meu irmão. 
Ergue teus braços finos e acaba com a exploração.
Faz tua revolução!  
O voto é tua única arma. Põe teu voto na mão. 
*O VOTO E O PÃO (Alceu Collares)
A Renata poderá exercer seu direito este ano e desejo que ela tenha sabedoria e coragem para escolher a quem confiar seu voto. Espero também que àquele que receber o voto, saiba honrá-lo. Votar é importante, pois só adquirimos a experiência necessária, para acertar, ou errar menos, exercitando, desde cedo.

Não há nada de errado com aqueles que não
gostam de política, simplesmente serão
governados por aqueles gostam.
Platão


Esta semana foi a vez do TRE/RS e a Assembleia Legislativa lançarem uma campanha de incentivo ao voto aos 16 anos intitulada “16 anos: Uma idade inesquecível. No lançamento o depoimento do jovem Bruno Cipele, chamou a atenção. Ele completou 16 anos no dia e foi até o local acompanhado da avó Sarita Pargendler, que trabalhou 23 anos no TRE. — Desde cedo acho importante participar das escolhas do país. Sou de uma geração que cresceu vendo corrupção. A gente tem a motivação de tentar mudar o que está errado — explicou Bruno. Conforme publicou O ClicRBS.


Depoimentos como o de Bruno, mostram um dos motivos pelo descrédito na política, a Corrupção, porem, o seu depoimento aponta para uma das formas de modificar essa realidade: Participar. Jovens como a minha Renatinha, o Bruno e tantos outros, que mesmo diante de um quadro desmotivador, preferem participar e não se omitir, nos faz crer, que em um tempo, não muito distante, a democracia possa ser exercida como uma celebração de uma sociedade cidadã, comprometida com os interesses de todos e não com os interesses egoístas de indivíduos e grupos.
E você? Vai completar 16 anos até o dia 07 de outubro de 2012? Já fez seu título?   

Faça como a Renata! 
Vá até um Cartório Eleitoral e faça valer a sua opinião!



A democracia... é uma constituição agradável, anárquica e variada, distribuidora de igualdade indiferentemente a iguais e a desiguais.
Platão


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ei Fortunati, segue o Exemplo da Dilma e do Tarso!

O Governador Tarso Genro e a Presidenta Dilma, determinaram que os detentores de cargos em seus governos, que pretendem participar das eleições deste ano, como candidatos, deveriam deixar suas funções ainda no começo do ano.

Considero a decisão de ambos, muito acertada, pois há muito trabalho por se fazer no governo e é importante que todos estejam “focados” no trabalho, além do que, fica ruim fazer modificações no meio do ano, é bom fazer isso agora durante o período de férias; Por último, garante que a máquina pública não seja usada eleitoralmente pelos candidatos e seus partidos políticos.

Aqui no Rio Grande do Sul, o Secretário Beto Albuquerque, cumpriu a orientação do governador, o que considero acertado e demonstra seu compromisso com o governo e com a boa administração do patrimônio público. Eu mesmo acabo de deixar as funções que exercia na SEINFRA (Secretaria de Infraestrutura e Logística do RS) desde o ano passado. Como sou pré-candidato a uma vaga na nominata do PSB para concorrer a vereador em Porto Alegre, em comum acordo com a orientação do Secretário Beto Albuquerque, deixei minhas funções.

Nós não somos donos destes cargos, erra quem pensa assim, os cargos são missões que recebemos, para servir a população e o governo em que acreditamos. Políticos sérios, não se apegam a cargos e estão prontos para deixá-los, desde o primeiro dia em que entram. Vamos lá, cumprimos nossa missão e saímos. Quem quer estabilidade, deve fazer concurso público. Na SEINFRA todos os três companheiros que se enquadravam nos critérios da orientação do governo, tiveram que se afastar: Eu e os companheiros Geraldinho (Pré-candidato a Prefeito em Viamão) e o Vanderlan Vasconcelos (Pré-candidato a Prefeito de Esteio).

Dizem que alguns pré-candidatos, de outros partidos, não estão seguindo a orientação do governador, usando da artimanha de que “não têm certeza” se serão, ou não, candidatos. Quem me conhece sabe que não gosto de hipocrisia e que abomino esse tipo de prática, pois se pretendem ser candidatos, e para merecerem o voto das pessoas, têm de aprender, desde sempre, a cumprirem orientações, e não ficarem fazendo “malandragens”. Quem age assim não merece o voto do eleitor.

Acho até que o Prefeito José Fortunati, e todos os demais Prefeitos, deveriam fazer o mesmo e solicitar o afastamento dos detentores de cargos públicos que pretendem se candidatar, isso evitaria que utilizassem da máquina pública para benefício próprio e eleitoreiro. Nossa população está cansada dessas práticas lesivas aos cofres públicos.

Se hoje, grande parte da população está descontente com a política, muito se deve por ver aquilo que é público, que a todos pertence, ser usado de forma leviana, por políticos, que só pensam em seus próprios interesses, e utilizam-se daquilo que é de todos nós, para aferir proveito próprio e de manutenção de seu "estatus quo".

Para que a democracia seja exercida de forma correta, é preciso que todos aprendam a tratar com respeito à “coisa pública”. Pessoas “apegadas” a cargos, e que “alicerçam” suas carreiras políticas neles, acabam fazendo qualquer negócio para se manter onde estão, e para isso, muitas vezes renunciam aos seus valores pessoais, a sua dignidade, e o respeito ao bom uso do patrimônio público.

Espero que o Prefeito José Fortunati, faça uma demonstração de que respeita o povo de Porto Alegre, e determine que os pré-candidatos a Vereador, que estão ocupando CC’S na Prefeitura, deixem suas funções para evitar a utilização da máquina pública como instrumento de campanha eleitoral, seguindo o bom exemplo dado pelo Governador Tarso Genro e a Presidenta Dilma Rousseff. 

Por último, agradeço a confiança do Secretário Beto Albuquerque, que me proporcionou a oportunidade de fazer parte da sua equipe, a frente de uma das mais importantes secretarias do Estado do Rio Grande do Sul.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

VOTO AOS 16 ANOS

Este ano teremos eleições. O povo vai às urnas para eleger os Prefeitos municipais e os Vereadores. Na democracia, o direito ao voto é a nossa principal “arma”, com ela, podemos conceder um mandato àqueles que acreditamos serem os melhores para representar a nossa opinião no parlamento e no executivo. Vejam bem: O político representa a nossa forma de pensar. Somos nós que decidimos quem VAI ou NÃO, ocupar uma função pública em nosso nome. EU escolho, EU voto, EU me responsabilizo pela escolha.

Quando ficamos descontentes com o comportamento daqueles que elegemos, temos a oportunidade, de corrigir nosso erro, nas próximas eleições. Como? Primeiro NÃO votando nele novamente. Segundo: Escolhendo outro candidato.  Sim, pois se ficamos desiludidos, indignados, e optamos por votos nulos e brancos, acabamos não corrigindo, pois nossa omissão, muitas vezes ajuda àqueles que nos decepcionaram, pois se o voto não vai outro candidato, ele acaba se reelegendo. O maior castigo para o mau político é fazer menos votos do que na eleição anterior, e ver outro político, principalmente novo, ocupar o seu lugar.

Sempre valorizei o meu voto, e fiz questão de escolher bem. Sinto-me recompensado pelo capricho, pois, quase não tive decepções com meus votos, nas vezes que consegui ver meus candidatos eleitos.

Essa foto, da minha filha Renata, enviei para o Presidente Lula, com um pedido: "Espero que você não me envergonhe, perante minha filha, por este gesto. Que ela possa se orgulhar de ter participado comigo deste momento histórico"
Tempos depois recebi uma carta, do então Presidente da República, LULA, que terminava assim: "Mais uma vez, agradeço a você e faço um convite para que continue acreditando e participando cada vez mais da construção do país que todos sonhamos" - Lula. Não me envergonhei de meu voto e continuo acreditando e participando da construção de um país melhor.
Este ano, minha filha caçula, Renata, completa 16 anos e votará pela primeira vez em seu próprio nome. Ela sempre me acompanhou nas votações. Quando pequenas, as minhas três filhas iam comigo votar, devidamente trajadas e decoradas com a propaganda de meus candidatos. Criança adora essa festa da democracia que é a eleição. Eu mesmo guardo a lembrança das eleições de 1978, quando criança, que eu corria pelo bairro, catando santinho para minha coleção. O nosso candidato tem de nos orgulhar e não pode envergonhar nossos filhos.

Quando jovem, no movimento estudantil, lutei pela aprovação da emenda constitucional que garantiu o voto aos 16 anos. A emenda é de autoria do Ex-Deputado Federal Hermes Zanetti (Que se filiou a poucos meses no PSB). Zanetti foi Presidente do CPERS e é uma importante liderança gaúcha. Nossa geração conquistou muitas coisas e o voto aos 16 anos é uma das conquistas de relevância. Vínhamos de um período de limitada democracia, de eleições indiretas para Presidente da República (A primeira eleição direta para Presidente, após a ditadura, aconteceu em 1989, já com o direito de voto aos 16 anos) e poder soltar o grito que estava preso em nossa garganta era o que nossa juventude almejava. Essa luta, da qual participei ativamente, é o que concede a minha filha Renata, e outros milhares de jovens, o direito cidadão de escolher, de forma democrática, os seus representantes.

Ato de Filiação do Ex-Deputado Federal HERMES ZANETTI , autor da lei do Voto aos 16 anos, ao PSB. 
Porto Alegre - 18 de dezembro de 2011
Foto: Deputado Beto Albuquerque, Hermes Zanetti e Beto Grill, Vice-Governador do RS
O voto é o coroamento da democracia, é o momento onde somos todos iguais, onde cada cidadão tem direito a um único voto, o seu voto, e o concede a quem desejar. Minha filha vai às urnas em pé de igualdade comigo, seu voto valerá o mesmo que o meu, pois o voto não discrimina religião, sexo, raça, classe social. Ela poderá decidir uma eleição com seu voto. Sim, pois a diferença de um voto pode decidir uma eleição, um candidato pode perder, ou ganhar, uma eleição, por um voto de diferença, portanto, jamais devemos subestimar o valor deste direito legítimo que conquistamos. 

Estou feliz, pois este ano todas as minhas filhas estarão votando e contribuindo pela consolidação da democracia. Espero que àqueles que têm direito ao voto, o valorizem, comparecendo as urnas e escolhendo um candidato de sua confiança. Escolha! Não tenha medo de errar. Acredite! Confie! Acompanhe o processo eleitoral, debata os problemas da cidade com seus familiares, colegas e amigos. Converse com os candidatos, ouça suas opiniões e as motivações que o levaram a se candidatar. E se não for pedir demais, não troque seu voto por dinheiro, ou qualquer outro “presentinho”, não acredite em promessas absurdas, pois lembre-se: Você está concedendo o direito desta pessoa te representar pelos próximos quatro anos, tomar decisões, administrar aquilo que é de todos nós. Mas, o importante, é que você mesmo decide, conforme sua própria consciência, seus valores e crenças, pois esse é o seu direito, legítimo, concedido pela DEMOCRACIA.




sábado, 28 de janeiro de 2012

Viver! E não ter a vergonha de ser FELIZ


Hoje fui levar minha sogra, minha filha e dois sobrinhos para passar uns dias na casa da minha cunhada na praia. No caminho ela começou a me falar sobre sua vida, sua infância e a medida que ela falava, lembrava de minha mãe que igualmente, teve uma vida parecida.

Minha mãe é do Alegrete, e minha sogra de São Borja, ambas da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, terra de campo, de produção, ambas as cidades importantes para nosso estado.

Em um passado não muito distante as crianças trabalhavam desde muito cedo, as meninas eram colocadas em casas de “família” onde cuidavam de crianças e dos afazeres domésticos, muitas vezes não tinham nem 10 anos de idade. Assim aconteceu com minha sogra e minha mãe, ambas trabalham desde que se conhecem por gente.

Minha sogra casou cedo, queria sair de casa, tinha apenas 15 anos, foi o passaporte para a capital, onde criou seus cinco filhos, entre ele minha esposa. O seu sonho na capital não foi tão colorido assim, foi de muito trabalho e dor também, pois, dos cinco filhos, um partiu com apenas 14 anos, vitima de afogamento. Dor insuportável para uma mãe.

Minha mãe casou mais tarde, com 22 anos, involuntariamente, movida pela minha chegada, e criou seus quatro filhos trabalhando duro como minha sogra, ela já morava aqui em Porto Alegre, para onde veio com a sua “família adotiva”, onde conheceu meu pai.

Minha sogra "Gi" e parte de seus netos
Minha mãe e minha sogra viveram em uma época em que o trabalho doméstico era praticamente braçal. Criaram filhos com fraldas de pano, que precisavam ser lavadas após a criança batizá-las. Naquela época toda a roupa era lavada a mão, no inverno e no verão. Quando foram criadas as máquinas de lavar, só as famílias mais abastadas possuíam uma. Podem imaginar quanta roupa suja era produzida por famílias com esse número de membros? Pois é, além disso, elas cozinhavam, passavam, costuravam e ainda trabalhavam fora.

Quando era pequeno achava que minha mãe não dormia, ela estava sempre acordada, pois acordava antes de todo mundo, e dormia após todos estarem na cama, nunca via ela dormindo. Eu dei muito trabalho, pois se não bastasse as muitas responsabilidades de minha mãe, eu sou asmático, e naquela época não tinha “bombinha”, e quando entrava em crise, precisava correr para o hospital. Eu não conseguia caminhar, não tínhamos carro, nem telefone em casa, e tantas outras coisas que facilitam a vida da gente, muito dinheiro por exemplo. Assim, minha mãe tinha que correr comigo no colo, lomba acima, pegar um ônibus e ir ao hospital. Dura a vida de minha mãe! Dura a vida de minha sogra!

Uma história como a de minha mãe e minha sogra, é rica em todos os sentidos, rica em trabalho, rica em dores, rica em histórias, mas principalmente rica em AMOR. Por mais que a jornada fosse exaustiva, não faltou, e não falta AMOR para com seus filhos. Fui criado com muito Amor, assim como sei que minha esposa também foi.

Minha Mãe Flávia e a família que ela construiu com muito Amor
A caminhada para chegar até aqui foi dura, suportar as dores, os sofrimentos, as dificuldades, calejaram muito a vida de nossas mães, as marcas do trabalho são visíveis em seus corpos, mas nada que as impeça de zelarem por seus filhos e cumprirem os seus compromissos de mães e agora, seus compromissos de avós, algumas vezes avós-mães.

Durante a viagem, e nas horas que sucederam meu retorno, até poder escrever esse, passou um filme na minha mente, o filme da minha vida, de minha mãe, de minha sogra e das milhares de mães que criaram seus filhos com Amor, mas com muito sacrifício. Pensei nelas, mas também pensei que ainda hoje, por todo o Brasil, apesar do desenvolvimento e do crescimento econômico, existem muitas Flávias e Gizeldas criando seus filhos com muito Amor, mas com precárias condições, sem acesso as tecnologias e sofrendo inúmeras privações. A ironia de tudo isso, é que, destas famílias, saem homens e mulheres íntegros, trabalhadores, enquanto, muitas vezes, o mesmo não acontece nas famílias mais abastadas, onde o ter é mais importante do que o ser.

Queria agradecer a minha mãe e a minha sogra pelo exemplo que me deram, pelas avós dedicadas e amorosas que são, pelas mulheres trabalhadoras que ofereceram cidadãos de bem para nossa sociedade. Embora, muitas vezes, só lembrada em ocasiões festivas, como o natal, a FAMÍLIA ainda é o pilar mais importante de nossa sociedade. Veja um homem de bem e enxergará uma família por trás dele! Veja uma família de bem e enxergará um cidadão digno!

Obrigado Mãe e Gi, que Deus abençoe vocês!  



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mais uma experiência no Sistema Público de Saúde

Era 1h da manhã de Sábado, dia 21.01.2012, quando minha filha me acordou para atender minha cunhada, que estava ao telefone, pois uma amiga da família, vizinha há muitos anos, estava passando mal e precisava de socorro. Começava aí, mais uma de minhas experiências com o sistema de saúde.

Parece impressionante, mas toda vez que tenho contato com hospitais, emergências, ambulatórios ou etc., acabo tendo motivos para escrever algo sobre o assunto. Foi assim com minha mãe, com meu sogro. Por que será?

A amiga, com mais de 70 anos, já estava doente, passou um longo período de internação, mas desta vez caminhava para sua última, pois, veio a falecer naquele mesmo dia.

Ela foi conduzida ao Hospital Conceição pela SAMU e segui em meu carro com a filha, que há 9 anos se dedicava com extremo afinco aos cuidados com a mãe, um exemplo que me comoveu muito. Teria que escrever uma postagem especial para relatar as atividades e a dedicação com que ela cuidava da mãe, principalmente nos últimos meses, que ela necessitava de uma atendimento especial, a impressão era de que ela não dormia nunca, tamanha era a atenção dada, tanto é verdade que, com extrema agilidade, ela detectou que algo não estava bem e imediatamente providenciou socorro.

Alguns minutos após a chegada ao hospital, fomos chamados a ingressar na “área vermelha” da emergência do Hospital Conceição, onde se passou a cena que me marcou muito: Era um corredor, com uma porta vermelha ao fundo, uma médica veio nos atender, estávamos eu, minha cunhada e a filha da paciente, amiga da família, a médica passou então a nos relatar que o caso era gravíssimo e que provavelmente ela não passaria daquela noite, tentou consolar a filha e falou sobre o caso. Diante daquilo comecei a olhar em minha volta e percebi que ao meu lado no chão havia pessoas deitadas. Sim, eram pacientes, deitadas no chão, e cobertas com um cobertor marrom. Só dava para ver um pedacinho do cabelo, pois eles cobriam a cabeça, provavelmente para se protegerem da luz e tentarem dormir, apesar do entra e sai de pessoas, típico de um corredor de hospital. Fiquei pensando:

Será que eles ouviam o que falávamos?

Como se sentiam, ali deitados, em condições muito precárias, no chão, com quatro pessoas estranhas em pé, ao seu lado, falando de morte?

Mil perguntas povoavam minha mente.

Olhei para dentro da sala a minha esquerda e reparei que havia dezenas de pessoas na mesma situação, deitadas no chão, em camas hospitalares, sentadas em bancos e cadeiras de rodas, eram muitas pessoas, muitas mesmos, não dava para circular no local sem correr o risco de pisar em alguém.

Fiz uma foto, com meu aparelho celular, para mostrar o corredor do Hospital. Não registrei nenhuma pessoa por uma questão de privacidade e respeito, apenas pode-se notar no lado direito, ao fundo, as pessoas deitadas no chão.

Comecei a ficar atordoado com aquilo, e meu espírito jornalístico dizia que deveria sacar minha câmera fotográfica e sair fotografando aquilo tudo, mas a necessidade de consolar e apoiar a nossa amiga, me fez tomar a decisão de sentar um pouco e olhar em minha volta, quando vi pessoas sendo atendidas, outras aguardando, olhei mães, sentadas com os filhos no colo, uma outra, em pé, apoiava a cabeça do filho jovem, em seu peito, gesto típico das mães, e que traz muito conforto.

Tudo isso que vi, me remeteu ao sentimento de paz, que nascia do caos, os funcionários ali presentes se esmeravam em atender os pacientes, e a grande maioria deles estava acompanhada de um parente ou amigo que procurava lhes dar conforto.

Essa postagem poderia ser um protesto as precárias condições de nosso sistema de saúde, porém preferi olhar pelo lado do amor, amor que consola, que cuida, o amor daqueles que trabalham por vocação e que atendem com dedicação e carinho àqueles que precisam, o amor que chora a perda e a saudade.

"Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra."

São Francisco de Assis

Mais do que reclamar eu fiquei pensando no que eu poderia fazer para mudar esta situação, como eu poderia agir, como cidadão, como indivíduo, para a melhoria destas condições? Não paro de pensar nisso, ao mesmo tempo que fico imaginado que, apesar de 42 anos de idade, nunca havia entrado na emergência do Hospital Conceição, que está reformado e mais organizado do que era no passado, o que me faz pensar nas muitas coisas que não conheço, nos muitos problemas que nem sei que existem, das inúmeras respostas que não tenho.

Esse é um ano eleitoral, devemos pensar bem em nossas escolhas, pois elas agem diretamente na solução de problemas como este, mas para escolhermos bem, devemos pensar no assunto, devemos refletir sobre a solução, devemos pensar o que nós podemos fazer e aquilo que não está ao nosso alcance, e que depende dos governantes. Enquanto isso, podemos fazer aquilo que está ao nosso alcance, que é dar o nosso amor àqueles que dele necessitam, e cuidar e zelar por aqueles que amamos, assim como nossa amiga cuidou de sua mãe até os últimos minutos de sua vida.