sábado, 24 de setembro de 2011

Eu e meu Brizolismo

Existem coisas na vida que temos muito orgulho de contar, coisas que nos fazem sentir especiais. Ter conhecido e acompanhado Leonel Brizola como fotógrafo, por alguns anos, é uma destas honras da qual não tenho palavras para expressar em toda a sua magnitude. Brizola foi um político incomum, diferenciado, fora de série. Hoje, com certeza, ocupa um lugar no Olimpo dos Deuses da política.
É impressionante como o Brizola está em minha Vida. Foi a pessoa que mais fotografei. Em minha casa armazeno um gigantesco arquivo de fotos suas. Estive em tantos lugares o acompanhando e presenciei inúmeros encontros dele com pessoas, tanto anônimas como conhecidas. Participei de momentos da política gaúcha e ouvi Brizola discursar por um incontável número de vezes que não poderia ser outra coisa senão um Brizolista.
Meu primeiro encontro com Brizola - Impossível esquecer!
Fiz política grande parte da minha Vida e teve uma época que pensei que sabia fazer isso, e mais, achava que fazia bem. Em 2001 acompanhei um grupo de militantes que deixou o PDT por discordar dos rumos que o partido tomava e principalmente por não ver que através do PDT pudéssemos fazer as transformações que sempre sonhamos. Foi uma decisão muito difícil que doeu em todos nós Brizolistas.
É preciso registrar, que ser um militante político não é uma forma de ganhar a vida fácil, muito pelo contrário, exige renúncia e muita dedicação. Pelo menos era assim.
Nunca fiz política por dinheiro e embora as pessoas possam considerar ridículo, do alto dos meus 42 anos, declaro que sempre acreditei que podia “mudar o mundo” e por um tempo achei que a militância política era o melhor lugar para as pessoas que pensavam como eu estarem. Em 2001 deixei de acreditar nisso, e me desfiliei do PDT, de Leonel Brizola, a quem sempre admirei e respeitei, acompanhando um grupo de militantes com quem tinha afinidade ideológica. Entre estes militantes estava a atual presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, além de Sereno Chaise, Marcos Klasmann, Milton Zuanazzi, e muitas outras figuras importantes do PDT.  Todos esses militantes ingressaram no PT e eu resolvi tomar outros rumos na minha Vida, fui levar minha crença e minhas verdades para onde achava que seria mais útil.
Quem me conhece sabe que sou um “guevarista” e que acredito que “quem não vive para servir, não serve para viver” e embora a frase pareça radical e um tanto forte, é assim que sou e por este motivo deixei de acreditar nos políticos que, de um modo geral, com raras exceções, estão aí mais para se servir do que para servir.
Nos últimos quase 10 anos, me dediquei ao Terceiro Setor, exercendo com toda a minha dedicação, amor e crença em um mundo melhor, a função de Diretor Executivo da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, e pensei que nunca mais iria participar da política. Sempre achei um retrocesso me envolver com política novamente, pois estava sendo muito mais útil a sociedade me dedicando a Fundação, e a política era coisa do passado.
Mas não temos como prever o futuro, e após deixar minhas funções na Fundação e me conceder um período sabático, participei da campanha de minha querida amiga Juliana Brizola, em busca de uma cadeira na Assembléia Legislativa, conquistada com uma expressiva votação, e após relutar muito aceitei o convite para assessorá-la na Assembléia Legislativa, onde ingressei em fevereiro deste ano.
Na Assembléia permaneci por exatos seis meses, mas que foram tão intensamente vividos, que valeram por anos, e proporcionaram o surgimento de um sentimento em mim que estava adormecido. O gosto pela política.
Netos de Leonel Brizola: Deputado Federal Carlos Brizola (Brizola Neto), Deputada Juliana Brizola, a quem tive a honra de servir na Assembléia Legislativa, e Leonel Brizola Neto, vereador do Rio de Janeiro. Amigos queridos! 
Acompanhando a luta desta jovem aguerrida e impressionantemente inteligente em busca de reconhecimento e espaço dentro do partido que seu avô criou, e da qual foi à grande e insubstituível liderança, só fez crescer a minha admiração e o respeito por ela. Nestes seis meses que estive ao seu lado de Juliana Brizola, vi uma liderança diferenciada, representante de uma nova geração de políticos, mais moderna, menos dona da verdade, e o mais importante, uma mulher, mãe, com um filho pequeno e que tenta conciliar a vida pública sem renunciar a família, como fazem a maior parte dos políticos, e até por isso é bastante incompreendida. Orgulho-me muito de ter servido a Leonel Brizola da mesma forma a sua neta Juliana Brizola.
Mas, se por um lado eu pude ver nascer uma promissora liderança, e conviver com uma política sensível, que sempre tratou a todos com respeito, pois durante os seis meses que a acompanhei, jamais a vi ser imprópria com um colaborador ou qualquer outra pessoa, sempre soube escutar de forma humilde, tratando a todos com cortesia e educação. Por outro lado a vi sofrer um massacre vindo do próprio partido. Tudo o que vivi nestes seis meses me fizeram recuperar o amor pela política e a vontade de fazer a diferença, porém me deram a certeza de que a escolha que tinha feito em 2001 estava correta em deixar o PDT.
Não vou utilizar esse espaço para criticar o PDT e suas lideranças, pelo respeito a história do partido e pelos inúmeros amigos que tenho no PDT, pessoas que foram e são importantes para mim. A decisão de não voltar a me filiar e optar por retomar minha caminhada política em outra sigla foi muito difícil, pois por questões éticas, tive também que deixar de estar ao lado da Juliana e seus irmãos Leonel e Carlito nesta cruzada pela reconstrução da sigla. Sempre me senti em casa dentro do PDT e tenho muitos laços afetivos com as pessoas e com o Brizolismo, mas o PDT parece não estar aberto a novas formas de pensar, a novas lideranças, ele está fechado. Para mim não dava, talvez não seja o PDT que não sirva para mim, mas eu que não sirva para o PDT.
"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há homens que lutam por um ano, e são melhores;
Há homens que lutam por vários anos, e são muito bons;
Há outros que lutam durante toda a vida, esses são imprescindíveis."
(Bertolt Brecht)

Mas, se pudesse deixar um conselho, diria a meus amigos do PDT, que o recado que eles passam para a sociedade é muito ruim. Parece que no PDT não têm espaço para novas formas de pensamento, que os ideais vêm e segundo plano e o que importa é conquistar cargos e mais cargos, e que se alguém se insurgir contra isso, será perseguido, independente de quem seja. Se fazem isso com os legítimos herdeiros de Leonel Brizola, o que farão com os “Zés”.
Posso até estar errado, mas lutei uma vida inteira para construir um mundo melhor para todos nós, meus filhos e netos sempre pagaram com ausências e poucas riquezas por minha escolha idealista, mas espero que quando me for, meus amigos e aqueles que gostaram de mim, estendam a mão a meus descendentes, caso eles precisem, e não peço favorecimentos, mas  conselhos, apoio, compreensão e o que vi nestes últimos meses, foram pessoas que muito se beneficiaram da imagem de Brizola, perseguirem seus descendentes. Para mim, assim não dá.
Assim, meu Brizolismo está aceso dentro de mim, ainda mais após comemorarmos os 50 anos da Legalidade e a convivência com os netos de Brizola, com quem construí uma amizade que pretendo levar por toda a minha vida. Da mesma forma que carrego minhas convicções socialistas e meu Guevarismo por onde vou, também sempre levarei o meu Brizolismo aonde estiver.
Brizola Vive!
Saudosos Leonel Brizola e Darcy Ribeiro - Seus ideais permanecem!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Retornando a escrever

“... Eu faço da dificuldade
A minha motivação
A volta por cima
Vem na continuação
O que se leva dessa vida
É o que se vive
É o que se faz
Saber muito é muito pouco
"Stay Will" esteja em paz..

Pontes Indestrutíveis - Charlie Brown Jr.

 

Estou a semanas pensando em escrever novamente para o Blog, mas não conseguia achar nada apropriado e nem por onde começar, já que muitas coisas aconteceram desde o último post.
Quando enveredamos para este campo dividimos muitos sentimentos: Por um lado escrevemos para nós mesmos, como forma de reflexão em voz alta, como diário de uma vida que vai passar e que a memória um dia trairá. A fotografia tem esse papel, de fazer acender nossa memória, assim como os escritos, mas outro lado de nós gostaria que aquilo que escrevemos fosse lido por alguém, melhor ainda se for comentado ou cause uma reflexão; Muito melhor ainda se servir para a evolução de alguém.
Nesse mundo virtual, é infinito o número de pessoas talentosas que abastecem a internet com textos bem escritos, reflexões profundas e conteúdos úteis, portanto, para poder conquistar alguns leitores, precisamos ter competência, produzir algo relevante e não ficar tanto tempo sem escrever. Fora isso contamos com a generosidade de amigos e parentes que nos prestigiam por solidariedade.
A última vez que postei algo aqui, falava sobre o Vida Urgente Espírito Santo, e de lá para cá, tantas coisas aconteceram que se for tentar atualizar terei que fazer mais de uma dezena de posts. Passei uns dias no Espírito Santo revendo meus amigos capixabas, matei um pouco da saudade; Minha filha caçula, Renata, completou 15 anos; Minha filha mais velha, Jenifer, ingressou na Faculdade de Administração da PUC, como bolsista do ProUni, o que me deixou muito orgulhoso; Mudei de local de trabalho; Voltei a me filiar em um partido político, após ter deixado de militar por mais de 10 anos; O Vida Urgente voltou a atuar no Espírito Santo; A Dilma fez uma faxina nos ministérios; Os EUA anunciaram a morte de Osama Bin Laden; Nossa!
Tanta coisa aconteceu e eu não publiquei nenhum post. Assim não dá! Não tenho como conquistar leitores fiéis com tamanha omissão diante de acontecimentos de grande importância.
Isso tudo quer dizer que não tinha nada a dizer? Não! Pelo contrário tinha tanto a dizer e não sabia por onde começar, pois vivi em uma montanha russa de emoções nos últimos meses, que só agora estou começando a colocar o pé novamente no chão. Foram momentos de importantes e difíceis escolhas.
Agora estou aqui, ensaiando um novo começo, um retorno ao blog, o retorno a escrever, e faço isso por considerar importante.
Minha lucidez, ou minha insanidade, acredita que tenho algo a dividir e que esta é uma forma de fazer isso, talvez como parte de um testamento, ou como auxílio para a memória, que já não é mais a mesma. Pelo menos meus netos poderão ler quando crescerem, e eu poderei me encontrar comigo mesmo no futuro, lendo aquilo que pensava e vivia no passado.
Agradeço àqueles que, de forma generosa, dispensam um pouco de tempo para ler o que aqui está escrito.

sábado, 23 de abril de 2011

...pra quem tem pensamento forte o IMPOSSÍVEL é só questão de opinião

Durante a última semana os voluntários do Vida Urgente Espírito Santo, utilizaram deste trecho da música “Só os loucos Sabem” do Charlie Brown Jr, na campanha #FicaVidaUrgenteES nas redes sociais.
Quando eles utilizaram isso, acreditavam em uma espécie de “milagre” que fizesse o governo do estado reverter a sua decisão de não renovar o contrato que mantinha, desde 2008, para a manutenção do Programa Vida Urgente em terras capixabas.
O “milagre” não aconteceu, pelo menos como esperavam os voluntários e a equipe do ES. O que eles têm é a “promessa” de que nos próximos três meses equipes do governo e da Fundação estudarão um novo formato que proporcione a continuidade do Vida Urgente Espírito Santo. Enquanto isso a sede será desocupada, os funcionários demitidos e os voluntários desmobilizados, até que os representantes das partes cheguem a um acordo.
Mas não quero usar este espaço para falar desta parte triste, eu quero falar daquilo que vi, como Testemunha Ocular, e parte ativa do verdadeiro “milagre” que aconteceu no Espírito Santo. O “Impossível” já aconteceu!      
Em 2007 realizamos o primeiro capacitação de voluntários, era o embrião para aquela que seria a inesquecível experiência em terras capixabas.

Essa foi a primeira turma de voluntários capacitados no Espírito Santo a turma do turno da Manhã
Essa galera foi fundamental para essa história maravilhosa.
Minha memória não é muito boa, mas acho que consigo identificar a maior parte deles na foto (peço desculpas aos que eu não lembrar)
Conto com os voluntários para completar os nomes que faltam, postando comentários
Bem a frente Margô Devos - Detran/ES
Primeira fila: Esquerda para direita: Maria do Socorro,Sheila, Fábio, Aline, Luciene Becacici (Detran/ES), Diza Gonzaga, Claudinha, Edcarlos, Larissa e Bruno Albuquerque
Segunda fila: ?,  Dani Nunes, Joice, Saionara, Pascoal, Osvaldino e Tiago Moraes
Atrás: ?, Maria Amália, Bento, Jota, Sarah, Paulo, Herivelton, Samir, Fabrício, André, Saulo, Jorginho e Alex

51 voluntários capacitados em duas turmas muito heterogêneas, a diversidade do grupo era impressionante, pois tinha desde o Jota, Saulo, Mayara, Menara, Joice, Naiara, André, que era uma gurizada jovem, muito nova, passando pelo Fabrício, Tiago Moraes, Larissa, Sarah, Samir, Bruno, Fábio, Edcarlos, João Vitor, Patrick, Maria Amália,  Claudinha, Bento, até chegar a Marlene e o seu Osvaldino uma pessoa já bem mais madura que tinha 64 anos na época  e uma vitalidade de dar inveja.
O Espírito Santo não tinha tradição de trabalho voluntário, principalmente entre os jovens e tudo parecia tão novo para todos. Os motivos que os levavam até o Vida Urgente eram os mais diversos.
Confesso que as expectativas não eram as melhores, e mais de uma pessoa me comentou que acreditava que isso não vingaria no Espírito Santo, que o povo capixaba era diferente do povo do Sul, que não tinham muito esse sentimento social, de voluntariado e etc. Que não acreditariam que o pessoal poderia trabalhar sem ganhar dinheiro em troca, e que esse discurso idealista, sonhador que proferia, parecia algo distante deles.
Essa foi a segunda turma de voluntários capacitados no Espírito Santo, a turma da tarde
Continuo contando com o apoio para lembrar os nomes
Agachados: Leo, Madalena, Patrick e Ana Luisa
Em pé sem órdem: Fabiana, Maiara, Menara, Naiara, Rodrigo, Marlene, Sheila, Rosangela, João Vítor, Hingrid e Mariza
Mas como diz o trecho da música do Charlie Brown Junior muito utilizado durante a campanha do #FicaVidaUrgenteES, titulo desta postagem, digo que "pra quem tem pensamento forte o IMPOSSIVEL é só questão de opinião" e seguimos com toda a fé no trabalho.
Quando retornamos para Porto Alegre, já levava a fé em um grupo de voluntários que se destacavam e que já haviam sido contagiados pelo espírito do Vida Urgente.
Os percalços foram grandes, pois como envolvia o serviço público as coisas não aconteceram inicialmente como esperávamos. Os voluntários realizaram, sozinhos, a primeira ação, que foi uma participação na Mini Maratona Espírito Santo Vida Urgente no final de 2007.
No Rio Grande do Sul, aguardávamos a concretização da parceria, através da formalização do contrato e que levou mais tempo do que o esperado. Isso criou uma dúvida se conseguiríamos mesmo concretizar o nosso desejo.
No dia 08 de Janeiro de 2008 recebemos um telefonema da Luciene Becacici, então presidente do Detran/ES e uma das grandes incentivadoras do projeto, pedindo que fossemos ao Espírito Santo para dar início as ações. Embarcamos 2 dias depois, para Vitória, eu, a Natacha, o Jorginho e a Maitê. O Detran/ES se propôs a colocar uma equipe de apoio, e alguns promotores contratados, para garantir a realização das ações, marcadas para iniciar no dia 12 de janeiro, para o caso dos voluntários não comparecerem.
Tínhamos só um dia e meio para organizar tudo e marcamos uma reunião para a Sexta-feira, 11 de janeiro, um dia antes da ação. Chegamos na quinta-feira a noite e na sexta aguardamos os voluntários.
A expectativa era grande: Será que eles atenderiam nosso chamado, mesmo assim tão em cima do horário? Será que a galera não dispersou após este tempo sem algo concreto? Será que deixaram de acreditar?  Tínhamos muita fé, mas também muita expectativa. Na hora marcada a galera começou a chegar e foi uma alegria rever grande parte dos voluntários, que a esta altura já considerávamos amigos, alguns deles traziam colegas e amigos para reforçar o grupo.
No Sábado estávamos todos lá, iniciando nossas atividades na Bacutia em Guarapari, atendendo ao desejo do Thiago em “voltar a Guarapari” e o IMPOSSÍVEL passou a ACONTECER.

Essa é a foto das pessoas que estavam presentes na primeira ação do Salva Vida Urgente Espírito Santo na Bacutia em Guarapari no dia 12 de Janeiro de 2008

Nestes anos que se seguiram, o Vida Urgente Espírito Santo ensinou tanto a todos nós. Fez tanto pela sociedade capixaba. Formou tantas lideranças e foi motivo de imensas alegrias. Eu participei de momentos inesquecíveis no Espírito Santo, e conheci gente tão especial, que em meu coração existe uma verdadeira colônia de amigos capixabas. Minha vida está ligada para sempre a essa experiência maravilhosa e a essa terra abençoada por Deus.
Manifesto aqui minha solidariedade aqueles que fizeram o Impossível acontecer, e peço que se mantenham mobilizados, a sociedade precisa da energia de vocês, e só a juventude pode fazer as mudanças que precisamos, são as mentes juvenis e revolucionárias que empurram a sociedade para o futuro.
Existem tantas causas a serem defendidas: A busca por uma educação libertadora e de qualidade, a questão ambiental e a preservação da Vida em toda a sua plenitude, que não vai ser uma questão burocrática ou de interesse político que vai calar a voz de uma galera tão especial como vocês, que foram capazes de acreditar no sonho e torná-lo realidade. Esse período da história capixaba jamais será esquecido e todos sempre lembrarão de vocês.
De minha parte eu gostaria de retribuir tudo que vivi aí com um trecho de uma música que recebi do Jota, quando fui ao Espírito Santo, pela última vez, quando parti para outras caminhadas. “Só enquanto eu respirar, Vou lembrar de vocês, só enquanto eu respirar”

O ANJO MAIS VELHO

"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu
deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

Gosto muito desta foto dos voluntários na Bacutia em Guarapari - 12/01/2008
Nesta foto a primeira equipe a fazer a esquete: Jota - Fabrício (baiano) - Larissa e Edilaine (Dih) 12.01.2008
Essa é uma das minhas fotos preferidas, além do simbologismo que ela têm, estão nela o Fabrício (Baiano) e a Edilaine (Dih) pessoas que foram muito importantes para o Vida Urgente Espírito Santo
A primeira ação dos voluntários do Vida Urgente Espírito Santo: Mini Maratona Espírito Santo Vida Urgente.
Como esquecer essa galera?
A esses três dedico uma lembrança especial: Natacha, Jorginho e Maitê.
Embarcaram comigo para o Espírito Santo e permaneceram por 2 meses junto com os voluntários participando das ações.
A Natacha ainda morou por um tempo em Vitória até o Vida Urgente Espírito Santo se solidificar.
Com certeza eles deixaram importantes lembranças nos voluntários capixabas.
A primeira vez a gente nunca esquece: Nossa estréia no Sambão do povo.
Foi um momento muito especial para todos os que lá estavam. 25.01.2008
Os meus irmãos da Chimarruts fizeram um show inesquecível na inauguração do Espaço Vida Urgente Espírito Santo. Eles interromperam uma turnê por São Paulo e Minas Gerais e foram até Vitória voluntariamente para abrilhantar o evento. Foi o primeiro show que eles fizeram em terras capixabas. 20.05.2008
Chimarruts e os voluntários do Vida Urgente Espírito Santo após o show realizado na inauguração do Espaço Vida Urgente. Momento Inesquecível - 20.05.2008
Estréia do espetáculo "Exército de Sonhos" no dia 21 de maio de 2008. No elenco Valéria, Eric, Edilaine e Vinicius.
Eles fizeram história no Vida Urgente Espírito Santo e a Valéria veio a se tornar a produtora do Vida Urgente no Palco.
Nesta foto algumas pessoas que também foram importantes na história do Vida Urgente Espírito Santo:
Thiago, Rosane, Amada e Luciene Becacici
Natacha, Jota e Saulo. O que dizer destes três? Em meu coração reservo um lugar todo especial para eles.
Essa foto representa a alegria com que eles sempre se dedicaram ao Vida Urgente Espírito Santo e foi com essa verdade que eles contagiaram centenas de jovens. Saudades! 
A turma desta foto tem história: Eduardo, Claudinha, André, Fabrício, Daniel, Luciene, Amada e Ana
Ao Daniel dedico um registro especial, pois o levei no lançamento do Vida Urgente em 20.05.1996, enquanto ainda se recuperava de um acidente de trânsito onde morreram dois de seus amigos.
Desde lá o Daniel sempre participou do Vida Urgente, cumprindo uma série de tarefas, tanto como voluntário, dirigente, ou como membro da equipe, mas sem dúvida nenhuma a maior tarefa que lhe foi confiada, foi a de deixar a nossa Porto Alegre e se mudar, com sua companheira, Ana, para Vitória e coordenar o Vida Urgente Espírito Santo.
Daniel se transformou em um verdadeiro gauchaba, para cumprir essa tarefa que lhe foi confiada.
São pessoas capazes de gestos como este que fazem do Vida Urgente um programa de sucesso.  
Vocês podem acreditar que nós comemos um churrasco assado pelo Jorginho?
Pois foi no dia 17 de Janeiro de 2008 na churrasqueira do prédio do Tiago Moraes
Na foto: Maitê, Amada, Claudinha e Natacha. O Jorginho é o gaiato ali atrás.
As "vítimas" do Jorginho são estes aí da foto
Queridos amigos, não tenho como esquecer os momentos que passamos juntos
Momento importante: Após o primeiro final de semana em Guarapari, ficamos confiantes e marcamos as ações do próximo final de semana em Vitória e dissemos para o Detran que faríamos só com os voluntários.
Pois neste dia fizemos o Salva Vida Urgente com mais de 50 voluntários.
Foi uma grande demonstração de força e união - 19.01.2008
Dia em que recebemos as chaves do prédio onde seria instalado o Espaço Vida Urgente Espírito Santo - 03.04.2008
Neste dia convidamos os voluntários para irem conosco visitar o lugar pela primeira vez
Durante 3 anos este foi o lar do Vida Urgente Espírito Santo
São tantas as recordações deste lugar mágico. Vai deixar saudades!
Gravação para o comercial do Vida Urgente Espírito Santo
Dia 22 de maio de 2008, dois dias após a inauguração de nossa sede
Nossa galera estava muito feliz neste dia.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Onde nós paramos?

Estou eu aqui de volta.
Embora estreante neste assunto, sei que blogueiro que se preze, não fica tanto tempo sem postar algo, porém passei um final de ano meio tumultuado e os primeiros meses foram de muitas mudanças. Ano novo, vida nova, literalmente.
Após fazer uma postagem sobre a experiência de minha mãe no SUS, vivi outro drama com meu sogro, só que a história dele não acabou bem e ele acabou falecendo no dia 23 de Dezembro, passamos as festas de final de ano tristes, principalmente minha esposa e cunhados. Tinha até preparado uma nova, com a experiência de ficar de madrugada na fila, com direito a vídeo e fotos, só que o desfecho foi triste e acabei desistindo.
Também preparei uma série sobre o Vida Urgente e seus personagens, que talvez esteja postando em breve. Nesse período de silêncio pensei tantas coisas, teve a posse da Dilma o caso do Ronaldinho “mercenário”, as chuvas da região serrana do Rio, a posse dos novos governadores, deputados (entre eles o Tiririca), o terremoto no Japão, a tragédia de Realengo e um infindável número de acontecimentos que mereceriam meus comentários.
Esta postagem tem o objetivo de marcar o meu retorno, na expectativa de que eu possa continuar o que comecei, que é expressar minhas opiniões e compartilhar com aqueles que se interessarem, através desta janela para o mundo, que é a internet.
Tenho certas limitações de redação, mas acredito que o exercício me proporcionará uma evolução neste sentido.
"Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse."
(Friedrich Nietzsche)

Juliana Brizola, ao centro com o filho José Inácio e seus dois irmãos.
Juliana Brizola é neta de Leonel Brizola e Deputada Estadual do Rio Grande do Sul, eleita com 61.305 votos, a mais votada da bancada do  PDT
 Esquerda: Carlito Brizola, Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, conhecido como Brizola Neto e autor do Blog http://www.tijolaco.com
Direita: Leonel Brizola Neto, irmão gêmeo de Juliana e vereador no Rio de Janeiro.
Foto tirada em São Paulo na Convenção Nacional do PDT - 12.06.2010


Porém, para poder chegar até aqui tive que ultrapassar algumas etapas que considerava importante.
No início deste ano, aceitei o convite da Deputada Juliana Brizola, para compor a sua assessoria parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Após 10 anos afastado da política, resolvi me impor este desafio de recomeçar uma caminhada que, de certa forma, já havia encerrado em minha vida.
Estou vivendo este momento de aprendizado, é como começar de novo, pois não sou o mesmo, após 9 anos de Vida Urgente, 40 anos de vida percorridos, 3 filhas e 2 netos.
Sou um homem diferente do menino que iniciou sua militância ainda na adolescência. Em comum, o idealismo e a rebeldia que ainda conservo, mas muitas coisas mudaram, principalmente a sociedade em que vivemos, e como reflexo disso a política também mudou bastante, mas nunca fui de fugir de um desafio e por isso aqui estou, enfrentando essa nova peleia.
Antes de reiniciar minha aventura aqui neste blog, procurei a Juliana e pedi sua autorização, pois entendia que as minhas opiniões poderiam ser confundidas com as dela. Como não pretendo tratar só de amenidades, e minhas opiniões em alguns momentos são controversas, sempre tive a preocupação de não prejudicar outras pessoas por meus atos e opiniões, achei apropriado que ela consentisse com minha decisão.
Durante os 9 anos de Fundação Thiago Gonzaga, abdiquei de opinar sobre questões não relacionadas ao Vida Urgente, para evitar comprometer a instituição com meus pontos de vista. Porém agora, está cada vez mais difícil controlar essa vontade de dizer o que penso, principalmente tendo a possibilidade, que essa opinião possa contribuir para a reflexão de alguém que esteja distante e sequer me conheça, proporcionada pela democratização da opinião que a internet oferece.  
A resposta da Juliana foi coerente com a sua postura até hoje, inclusive foi por essa postura que aceitei estar ao lado dela nesta caminhada.
Ela disse: “Serginho, mesmo que você trabalhe comigo, você não deixa de ser um cidadão e ter as tuas opiniões. Eu defendo o direito das pessoas em se manifestarem, mesmo que muitas vezes doa, mas as pessoas são responsáveis por suas próprias opiniões. Acredito que, os bem intencionados, saberão diferenciar tuas opiniões das minhas”.
 
“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”
(Voltaire)
Momento do juramento da Deputada Juliana Brizola em sua posse na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul no dia 31 de Janeiro de 2011

Confesso que gostei da resposta dela, mas ainda não sei como isso se dará na prática, pois contar com a boa intenção das pessoas é algo que ainda não consigo ver com clareza, pois, principalmente na política, o que tenho visto é gente mal intencionada, covarde, mas isso é tema para outra postagem.
Após a conversa com ela me senti fortalecido e vou ter o cuidado para não comprometê-la e não trair sua confiança, mas sem censurar a minha própria consciência. Valeu Juliana!!!!
Então estou de volta e agradeço as pessoas que dedicam alguns de seus valiosos minutos para ler o que escrevo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

“Guerra do Trânsito” – O quanto contribuímos para sua existência

                Muitos são os fatores que causam a verdadeira tragédia que é o trânsito brasileiro, uma guerra que mata e mutila dezenas de milhares de brasileiros todos os anos. Todos sempre se perguntam: Por que os números não diminuem já que existem campanhas e se fala no assunto todo o momento? Até a toda poderosa RBS achou que, com seu “canhão” de comunicação, conseguiria reduzir os números da mortalidade, e acabaram se frustrando, pois os números até aumentaram durante a campanha “correr é o fim”. Por que não diminuem os acidentes?
                A principal dificuldade é que as causas dos acidentes são “culturais” e não se muda toda uma cultura de uma hora para outra, é preciso um comprometimento de toda a sociedade. E aí começa o problema:
                Como conseguir uma mobilizar uma sociedade que não se sente responsável pelo problema? Como conseguir uma mudança se todos acham que não fazem parte deste problema?
As manchetes falam por si
                Enquanto em países “desenvolvidos”, com índices baixos de acidentalidade, o proprietário de um bar, restaurante ou promotor de uma festa é considerado co-responsável por um acidente causado por alguém que consumiu bebida, em seu estabelecimento ou residência, e dirigiu depois. Aqui no Brasil, realizamos festas regadas a muita bebida e a servimos livremente para crianças, adolescentes e nossos convidados motorizados.
                Alguém já esteve em uma festa, mesmo de crianças, onde deixaram de servir bebidas alcoólicas para um convidado, por ele estar de carro e depois iria dirigir? A maioria vai responder que não. Inclusive muitos dos leitores já forneceram, livremente, bebidas aos seus convidados, em festas, encontros e churrascos caseiros, mesmo sabendo que logo depois eles sairiam dali dirigindo seus veículos, com seus filhos, amigos e familiares na carona.
Será que não está na hora de revermos nossos conceitos????
                Ninguém se sente responsável por aquilo que o outro faz, justificamos isso, para aliviar nossas consciências, dizendo que cada um é responsável pela sua própria vida e por seus atos. O intrigante é que não deixamos de usar nossa influência sobre amigos e parentes, para conseguir deles algum favor ou benefício, mas não utilizamos desta mesma influência para tentar evitar que eles cometam um erro que poderá lhe custar à vida ou a de outras pessoas.
                                É final de ano e inicio das férias, muitas comemorações, encontros, calor, e é natural que as pessoas relaxem um pouco nos cuidados, e por este motivo é uma época em que o número de acidentes aumenta muito.
                 Proponho que junto com as reflexões, comemorações e projetos para o futuro, inclua uma mudança de hábito para 2011, aonde todos venhamos a assumir nossa responsabilidade na tarefa de reduzir essa “guerra do trânsito”. Você pode se engajar em projetos como o Vida Urgente, que lhe proporcionará também um crescimento pessoal importante, mas pode simplesmente operar uma mudança em você mesmo e naqueles que estão a sua volta.
                Devemos pensar em nossa responsabilidade por tudo que acontece em volta de nós.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sistema Público de Saúde – Será que têm jeito?

          Esta semana acompanhei minha mãe a uma consulta médica. Ela sofre de um problema na coluna, não tem plano de saúde e se utiliza do SUS quando precisa, na primeira consulta lhe foi solicitado um exame, uma ressonância magnética, fizemos uma vaquinha para pagar o exame particular, pois pelo SUS leva em média 2 anos. Quando chegou a hora de levar para o médico ver, fui com ela para saber da real situação e vivenciei, por algumas horas, o problema das pessoas que precisam usar o sistema público de saúde.
          A consulta era no Hospital Beneficência Portuguesa, que já foi um dos mais importantes hospitais de Porto Alegre, digo foi, pois nos últimos anos vêm sofrendo várias dificuldades e resiste bravamente. Minha mãe chegou por volta dás 12h30min e eu fui encontrá-la por volta dás 15h, ou seja, quando cheguei lá ela já estava esperando pacientemente por 2h30min. Ao lado dela eu fiquei mais 2h30min e ás 17h10min ela foi chamada.
          Durante a espera mais ou menos 30 pessoas, que aguardavam, contavam seus dramas pessoais, seus problemas de saúde e aventuras em busca de consultas e exames. É comovente a solidariedade entre elas, indicando, umas as outras, os macetes de como conseguir uma consulta, indicando um médico, local para exames e escutando solidários os relatos das outras. Muitas delas têm tantas horas de espera, que se pudessem trocar por milhas aéreas, poderiam passar umas férias bem legais em algum lugar bem longe de Porto Alegre.
          Mas na realidade, elas nada ganharam, ou melhor, quase nada, todo esse esforço para conseguir 5 minutos de atenção, tempo máximo que cada um ficava com a atenção de um jovem médico residente.

          A consulta da minha mãe durou menos do que isso, ele foi muito simpático, olhou o exame por 20 segundos, leu o laudo por mais 20 segundos, falou que ela tinha problemas naturais da idade e que não era caso de cirurgia. Disse assim: “Olha dona Flávia, a senhora tem uns problemas aqui, uns discos gastos, mais uns desvios acolá (falou na linguagem técnica, eu compreendi, mas não sei reproduzir os termos) e disse mais ou menos assim: “Existem dois casos, os que são para cirurgia e os que não. O seu caso não é para cirurgia! Aconselho à senhora fazer caminhadas”. Respondemos que ela não podia, pois possui um problema nas pernas, inclusive foi aposentada por causa deles (Nesta hora sonhei com um sistema informatizado onde ele pudesse ter um terminal de computador que mostrasse todo o histórico de saúde de minha mãe e de todas as pessoas que lá estavam.). Ele então sugeriu hidroginástica e receitou um remédio para dor, minha mãe falou umas palavrinhas e nos despedimos, após 5 horas de espera. Lembrei do slogan do Jucelino kubcheck 50 anos em 5 (5 horas de espera por 5 minutos de consulta).
          Para resumir: minha mãe teve uma vida dura, trabalhou desde criança, sim isso mesmo, ela era criança quando começou a trabalhar lá no Alegrete, e assim seguiu uma vida toda, trabalho pesado, além de criar 4 filhos, sendo um deles, eu, um asmático, que precisava de cuidados especiais, e como não existia a bombinha quando eu era criança, e nós não tínhamos carro, quando eu entrava em crise, ela subia uma lomba comigo no colo, para pegar um ônibus e me levar para o hospital. Vida dura mesmo. E como ela não conseguiu acumular alguma riqueza durante sua vida, e nós, seus filhos, também não conseguimos, pelo menos até agora, ela não vai ter moleza, e terá que ralar muito para poder ter um pouquinho de qualidade de Vida e conseguir os 5 minutos de atenção, sempre que precisar.
Essa é minha mãe. Uma mulher admirável e de quem tenho muito orgulho. Espero ser testemunha ocular de uma melhora no Sistema Público de Saúde para que ela, e tantas outras pessoas, não tenham que passar por sacrifícios todas as vezes que precisam de atendimento
          Mas sabe que entendi algumas coisas da natureza da minha mãe que não entendia até o momento. Desde muito cedo ela sempre foi muito disponível em percorrer os médicos para marcar consultas, se oferecer para acompanhar amigos e familiares em suas internações. Como ela é de Alegrete, e têm a maior parte de sua família lá, ela sempre os acompanhou e auxiliou a todos em sua busca por atendimento médico. Todos os nossos amigos e familiares sabem que podem contar com ela para fazer companhia, seja quando estão internados, ou apenas vão a uma consulta. Acho que somando os atendimentos médicos para nós, e eu utilizei muito deles, os de amigos e familiares e mais os dela, a minha mãe possui um gigantesco número de horas de “chá de banco”.
          Vendo aquelas pessoas, percebi o efeito impressionante da solidariedade humana, e quanto ela nos proporciona que possamos nos sentir menos infelizes ajudando os outros. O Sistema subjuga e humilha as pessoas que dele precisam, todos ali já estavam fragilizados por seus problemas de saúde, e já se sentiam um pouco inferiores por não terem dinheiro para um plano de saúde, que lhe fizessem serem tratados como reis em um hospital limpinho e moderno, com equipamentos de última geração. Sentiam-se humilhados por ter de suportar suas dores e aguardar por muitas horas para terem uns poucos minutos de atenção, porém mesmo assim, ajudavam uns aos outros, ajudam os outros a levantar quando eram chamados (Sim, por que alguns estavam tão debilitados e com problemas, que precisavam de ajuda para levantar da cadeira e nem todos tinham um familiar acompanhando, estavam sós, como na maior parte do tempo minha mãe está, pois todos têm que trabalhar e poucas vezes temos disponibilidade para acompanhá-la), ofereciam água, conversavam e ao sair desejavam boa sorte aos outros, como velhos amigos. Enquanto o sistema desrespeita, abandona e humilha, as pessoas se dão as mãos, se ajudam, protegem, consolam, e assim o tempo passa rápido, tão rápido quanto o tempo da consulta.
          Sugiro que os jovens, adultos, homens e mulheres, ocupados com seus afazeres, acompanhem um familiar a uma consulta, pelo menos uma vez na Vida e poderão ver de perto aquilo que muitos só assistem pelas câmeras da TV.
O amigo da foto aí, que ocultei para preservar sua identidade, é um dos personagens cuja história me chamou a atenção, dentre as tantas que escutei enquanto esperava. Ele é um pai de família, trabalhador, sofreu um acidente de moto, que lhe calsou danos no cérebro, que não lhe permitem uma vida normal (deixarei de dar detalhes sobre seu estado de saúde). Além de tudo o que sua família está passando, e são muitas a dificuldades, um espertalhão se ofereceu para auxiliar na retirada do seguro DPVAT, porém queria cobrar 40% do valor a que ele tinha direito, o que não foi aceito por sua familia. Resumo da história: Passados mais de ano desde o acidente, até agora não conseguiram retirar o seguro por causa deste pilantra, que exige o pagamento se utilizando de uma procuração assinada quando ele se ofereceu para "ajudar". É impressionante como têm pessoas que se aproveitam das fragilidades alheias para obter vantagens.
          Sempre admirei minha mãe, até por lembrar as noites em que acordava com falta de ar (e só quem têm sabe o desespero que é uma crise de falta de ar) e ela estava lá, dormindo sentada ao lado de minha cama, para me socorrer caso precisasse, ou ainda por, mesmo com poucos recursos, nunca ter deixado de levar os 3 filhos pequenos de ônibus (Não pense que há quase 40 anos atrás era como hoje. Era complicado pegar ônibus e demorava uma eternidade) para fazer piquenique na Redenção. Ela, com três crianças, mais sacolas, dava um trabalhão danado. Porém vendo-a enfrentar tudo isso para ter uns minutinhos de atendimento, e imaginando quantas vezes ela já passou por isso, me fez admira-la mais ainda.
          Espero que a nossa Presidente Dilma, possa melhorar isso, pois resolver eu acho difícil, porém não impossível. Mãos a obra Presidente!