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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Beto Albuquerque, um Líder, um Vencedor!


          Hoje utilizo esse espaço para homenagear o comandante Beto Albuquerque. Essa semana ele fez seu discurso de despedida da Câmara dos Deputados, pois no dia 31 de Janeiro de 2015 estará encerrando um ciclo de 24 anos de mandatos eletivos, dois mandatos como Deputado Estadual e quatro como Deputado Federal. Beto saiu direto da faculdade de direito para a Assembleia, tem uma história de vitórias e importantes serviços prestados a nossa sociedade.

         No dia 04 de Dezembro, ele recebeu o Prêmio Líderes e Vencedores, concedido pela Federasul e Assembleia Legislativa, pela segunda vez (A primeira foi em 2009). Na edição desta semana a Revista Época o colocou como uma das 100 personalidades mais influentes do Brasil. No domingo, enquanto o acompanhava nas atividades da Semana de Mobilização Nacional Para a Doação de Medula Óssea, eu pensava em minha própria trajetória política, e o quanto eu fui privilegiado. Durante estes anos todos eu pude ter a honra de conviver com pessoas incríveis, pessoas que me proporcionaram um rico aprendizado, daqueles que nenhuma faculdade pode oferecer. Nesta lista está Leonel Brizola, com quem pude conviver por diversos anos, acompanhando nas campanhas eleitorais e nas atividades partidárias, tenho um acervo de milhares de fotos dele, e pude escutá-lo falar por incontáveis vezes, mas não foi só com ele que convivi na política, e aqui vou relacionar apenas aqueles que escolhi e me escolheram para compor suas equipes. Sim, pois muitos acham que fazer parte de um gabinete parlamentar, ou de uma equipe de governo é algo fácil, pois saibam que não é, existem alguns que equivalem a um vestibular dos mais disputados.

Na década de 90, quando acompanhava o saudoso Leonel Brizola em suas andanças pelo Rio Grande do Sul, pude registrar alguns encontros com Beto Albuquerque. Na época Brizola já chamava a atenção para o talento e a liderança dele
          Na política, assim como em qualquer espaço social, existem diferenças, inclusive na qualidade do político e do mandato. Em minha militância política pude trabalhar com Wilton Araújo (Vereador PDT), Carlos De Ré (O saudoso Minhoca, na FGTAS) Pedro Ruas (Vereador PDT e Secretário de Obras do Governo Olívio Dutra), Milton Zuanazzi (Secretário do Turismo do Governo Olívio Dutra), Juliana Brizola (Deputada Estadual do PDT), até chegar no Deputado Beto Albuquerque, primeiro na SEINFRA e depois no mandato de Deputado Federal do PSB. Lembro, como se fosse hoje, do dia em que recebi seu telefonema, quando tomou posse na Câmara, após um período como Secretário de Infraestrutura, dizendo: Serginho, quer vir para o mandato? Receber um convite destes é como ser convidado para jogar em um clube da elite, é como o jogador que recebe o convite para jogar na dupla Gre-Nal (poderia citar o Barcelona e tantos outros, mas preferi os grandes gaúchos), uma honra.

Essa foto é muito especial, pois é de um momento de grande
felicidade. Vivíamos a esperança, a motivação, o sonho.

Esse encontro, infelizmente, não poderemos repetir
          Nestes últimos dias tenho pensado nisto tudo, não só do dia em que me convidou para compor o seu “time”, mas todos os outros convites que recebi e os momentos que vivi com essas pessoas, e me senti um privilegiado.

          Essa é uma característica importante no comandante Beto Albuquerque, a sua capacidade de nos fazer sentir especiais - reside aí uma importante reflexão que todos devemos fazer, pois uma das formas de avaliarmos a “saúde” de uma relação, é pensarmos o quanto somos capazes de nos sentir felizes por ter esse alguém em nossas vidas - é assim que me sinto trabalhando com o Beto, me sinto orgulhoso de minha trajetória, me sinto feliz e valorizado em minha caminhada, pois ele, através de seu trabalho, da seriedade com que faz política, com a sensibilidade com que trata as causas que defende, e principalmente com a generosidade com que trata as pessoas e em especial as pessoas de sua equipe, faz uma enorme diferença. Não tê-lo no Congresso Nacional é uma grande perda, não fazer mais parte de sua equipe deixará um vazio. É sempre um orgulho dizer onde e com quem trabalho!

          Beto é dos políticos atentos às causas da sociedade, é sensível aos clamores públicos, e um verdadeiro vencedor. Nem a pior derrota de sua vida, que foi a perda do filho Pietro, com apenas 19 anos, foi capaz de derruba-lo, da sua dor nasceu um trabalho abnegado na busca por doadores de Medula Óssea e pela melhoria do atendimento no sistema de saúde.

           Vim trabalhar com o Deputado Beto em 2011 e sempre tive dele um tratamento especial,  não diferenciado, mas especial, educado, generoso, bem humorado, altivo, solidário, respeitoso, são apenas alguns dos “Betos” com quem convivi. Não tenho uma única passagem de desrespeito, de injustiça para relatar, algo que eu mesmo não me sinto capaz de fazer, pois minhas imperfeições fazem com que me indigne com frequência. Trabalhar com alguém e ter dele sempre um tratamento respeitoso foi um grande ensinamento.

Como não reconhecer e agradecer a quem sempre te respeitou, prestigiou e apoiou?
Quando olho nossa história juntos, vejo momentos especiais, boas recordações, companheirismo, solidariedade, e só posso me sentir um privilegiado por tê-lo como amigo, como líder, como "comandante"!

          Vivemos em uma sociedade que tem preconceito com o elogio, confunde reconhecimento com bajulação interesseira, o que considero uma verdadeira ignorância. Costumamos ser contundentes nas críticas e modestos nos elogios, como se reconhecer o valor de uma pessoa fosse feio ou impróprio. Sou extremamente crítico, e o legítimo “super sincero” a ponto de muita gente se ofender com minha franqueza, porém, tenho como filosofia de vida, valorizar muito mais as qualidades das pessoas do que seus defeitos, muito mais os seus feitos do que seus malfeitos, e jamais me imponho silêncio na hora de proferir um elogio ou manifestar meu respeito e admiração, posso até controlar uma crítica, mas jamais um elogio, pois se é merecido, não há porque reprimi-lo, e o cara com quem trabalhei nos últimos três anos, merece o meu grande reconhecimento, e todos os meus elogios, a ponto de acreditar que um único depoimento não é o suficiente para relatar tudo o que ele representa.

          Valeu Comandante! Tem sido uma grande honra estar ao teu lado, e essa experiência muito me dignificou. Obrigado pelas oportunidades, pelo reconhecimento, apoio e respeito que sempre me dispensou, e aos quais eu jamais poderei retribuir.


          Vida Longa, Feliz, e muito sucesso na nova caminhada!    

Essa foto da campanha de 2012 é uma das mais belas lembranças que guardarei desta caminhada!
Valeu Comandante Beto Albuquerque! Avante! 2018 é logo ali!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A política é dinâmica? Vocês nem imaginam quanto!

Beto Albuquerque em um almoço com Brizola em 1998
Conheço o Comandante Beto Albuquerque desde quando ele foi para a Assembleia, era algo de vista, de quem acompanha política, estivemos próximos nas eleições de 1998 quando o Brizola foi vice de Lula e participamos do governo Olívio Dutra, ele pelo PSB como Secretário dos Transportes, eu como assessor de Pedro Ruas, Secretário de Obras, mas foi em 2004 em uma visita dele, como candidato a Prefeito de Porto Alegre, a Fundação Thiago Gonzaga que nos aproximamos de verdade. Juntamente com a Diza o recebi, e apresentamos a Fundação como fazíamos a todos os visitantes, e na época, ao sair ele disse: “Diza, ganhando ou perdendo a eleição eu voltarei aqui e você poderá contar comigo para esta causa, vou te ajudar!” Passadas as eleições, mesmo não obtendo êxito, ele se colocou a disposição do Vida Urgente e sempre que precisamos pudemos contar com ele, e a causa do trânsito seguro passou a estar presente nas suas bandeiras.

Essa experiência fez crescer em mim a admiração pelo Beto, por ser um homem de palavra, de visão, e dali em diante passou a ter meu voto e meu respeito. Em 2009 acompanhei de perto todo o drama da perda do Pietro para leucemia o que nos deixou ainda mais próximos. 

Quando visitou a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga em 2004 - Foto Paulino Menezes

Em 2011 quando decidi voltar a me filiar a um partido político, listei três possibilidades, tendo o PSB no topo da lista, pela afinidade ideológica com o partido e a admiração pelo Beto. Quando o procurei e expus minhas ideias, ele prontamente me disse: “Não procura mais ninguém, é aqui no PSB que você deve ficar, somos um partido pequeno, uma família, aqui você vai encontrar o que procura”!

Beto, mais uma vez, cumpriu sua palavra, acolheu-me no PSB, me apoiou, me proporcionou oportunidades de estar ao seu lado, tanto na Seinfra, como em sua equipe quando retomou o mandato de Deputado Federal. Após a eleição de 2012 quando fui candidato, não tendo alcançado êxito eleitoral, recebi dele o apoio, o incentivo, e no Sábado seguinte as eleições, me convidou para ir a Pelotas, que estava participando do segundo turno, e tivemos a oportunidade de passar o dia juntos onde me senti abraçado e apoiado. Beto sempre se colocou a disposição, disse que não deveria desistir, pois ele também perdeu a primeira eleição que concorreu e foi aquela derrota que o fez crescer e vencer as eleições que se seguiram.

Na Convenção do PSB em 2012 - Só Alegria

Me recolhi por um tempo, refleti muito, não aceitei convites de trabalho, embora precisasse, pois pessoas pobres como eu, precisam trabalhar para prover o seu sustento e de sua família. O tempo passou e Beto retomou seu mandato no final de 2012 e em seu primeiro dia na Câmara, recebi um telefonema seu com a seguinte pergunta: Serginho, quer vir para o mandato? Sim! Respondi sem titubear, pois era como se tivesse sido convocado para a seleção, uma honra para qualquer militante como eu. Compor a equipe de seu mandato era, para mim, alcançar um alto posto político.

De 2012 para cá, acompanhei várias mudanças, acompanhei  todo o processo da construção da candidatura de Eduardo Campos a Presidência da República, onde Beto se empenhou de corpo e alma se revezando entre seus compromissos como Deputado e as viagens pelo Brasil. Vê-lo em Porto Alegre se tornou algo raro. O acompanhei em todas as recepções que fez ao Eduardo aqui no sul, ele era motivadíssimo com a candidatura, utilizou de toda a sua habilidade política para construir um palanque para Eduardo aqui no Rio Grande do Sul. A vinda da Marina para o PSB teve sua colaboração, em tudo se dedicava com entusiasmo.


No Aniversário de comemoração dos seus 50 anos. 
Eu e minha família e abaixo com Eduardo campos

2014 têm sido um ano atípico para nós que compomos a equipe do Deputado Beto Albuquerque, pois desde o início sabíamos que eles estava disposto a qualquer sacrifício pessoal para viabilizar a candidatura de Eduardo e Marina, até não concorrer para poder se dedicar a campanha se fosse necessário. Candidato ele se dispunha a ser onde o partido precisasse, a Governador, Deputado, Senador, mas que Eduardo e a Marina teriam um palanque aqui no Rio Grande do Sul ele garantia. Imaginem como foi nosso ano até agora, nos organizamos para a candidatura a Deputado Federal, mapeamos todos municípios, organizamos as parcerias, depois nos organizamos e começamos a trabalhar para a campanha a Senador. Há exatamente uma semana atrás, uma terrível tragédia se abateu sobre nossas cabeças, algo completamente inesperado, e aqui estamos nós, confirmando a indicação do Comandante Beto Albuquerque para compor a chapa a Presidência da República como vice de Marina Silva. Nossa!

Me confesso assustado e motivado. Assustado, pois não esperávamos tudo que aconteceu, isso mexeu com o emocional de todos nós, dilacerou nossos corações. Também me preocupo com o que está por vir, pois por melhor que sejamos, nunca ficamos imunes a ataques covardes, a baixarias, e mesmo que saibamos que isso faz parte do submundo do jogo político, não gostamos de ver aqueles que gostamos sendo vítimas dessa parte suja da política. Me sentia incomodado com as agressões a Eduardo e Marina e não gostaria de ver o Beto ser alvo delas. Porém, entretanto, não sou de me acovardar, e como diria o saudoso Leonel Brizola: “Se um companheiro está precisando, não exito em por o peito n’água para ajudá-lo”.

Com Beto e Eduardo em 2013 - Essa foto tem valor inestimável para mim

Ao contrário do que muitos imaginam, fazer política requer sacrifício, requer doação, desprendimento, as pessoas que se favorecem com a política, que exploram a inocência do povo, que enganam, roubam, não fazem a boa política, eles contaminam a política! A lição de dedicação e desprendimento Beto sempre fez muito bem. O Papa Francisco disse aos jovens em 2013: “Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão!" Os cristãos não podem «fazer de Pilatos, lavar as mãos»: «Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum.»

Tenho muitos motivos para sentir honra e orgulho desta trajetória que percorri com o Comandante Beto Albuquerque! (Desde que vim para o PSB sempre o chamei assim, comandante, e também observei o estranhamento dos que escutavam esse tratamento, mas vir para o PSB foi um recomeço, um renascimento, e lembrava o início de minha militância na esquerda e a admiração pelo Comandante “Che”, pelo comandante “Brizola”, minhas referências, e demonstrava, através deste gesto que me colocava a serviço, a disposição, ao lado, de forma humilde, em prol de uma causa comum, e ao mesmo tempo que via nele a referência, o norte, o exemplo. O "Comandante Beto" é o nosso timoneiro!). Sei de seus ideais, objetivos, de como o mecânico se tornou em um dos políticos mais respeitados do Brasil, de como enfrentou a perda do filho Pietro com apenas 19 anos; Presenciei inúmeras demonstrações de solidariedade, afeto, generosidade e companheirismo comigo e com diversas pessoas. Beto Albuquerque será um excelente governante para o nosso país, ele saberá honrar o legado deixado por Eduardo Campos, e será um grande companheiro para Marina Silva. Beto fará a diferença, e isso me motiva de forma única!

Avante Comandante! Estou contigo nesta caminhada!

O Beto sempre esteve ali, junto de todos nós!


domingo, 16 de março de 2014

Tinha esquecido como dói!


Fui criado morando em casa com pátio e rodeado de animais de estimação. Até hoje, a casa de meus pais é cheia de cachorros, por isso nos acostumamos a dividir espaço com esses animais e a suportar seus cheiros característicos.

Depois de adulto tive dois animais de estimação, a Buba, que era da minha filha Natália,  que acabei perdendo o vinculo com a separação, e a Nina, com quem convivemos por 10 anos.

Ter um animalzinho de estimação em casa faz toda a diferença, principalmente para quem tem filhos. Mesmo morando em apartamento, trouxemos a Nina para fazer companhia para a Renata e para nós, pois eles preenchem um espaço afetivo em nossas vidas.

Desde a chegada da Nina, nossa rotina mudou, a ração passou a ser item obrigatório no rancho e as despesas com vacinas e tosa (Poodle necessita de tosa com frequência senão fica parecendo uma ovelha) sempre no orçamento familiar. Os jornais, após a leitura, tinham sempre um destino, servir de local para as necessidades da Nina (Nos acostumamos com o banheiro sempre forrado de jornal e a primeira coisa a fazer quando chegávamos em casa era juntar esse jornal devidamente "batizado"), e o principal: Nunca deixar a Nina sozinha. Se for dormir fora, tem que levar ela junto. Nas comemorações de Natal, Ano Novo, nas Férias, era companhia permanente, toda a nossa organização tinha que prever o bem estar da Nina também, deixar água e comida quando saíamos para o trabalho, luz acesa se formos voltar a noite (não gostávamos de deixá-la no escuro) e até deixar a televisão ligada para ela escutar som de vozes.
Minha intenção com essa postagem não é entristecer quem ler, muito menos transferir nossa dor para outros corações.
É apenas uma singela homenagem a um ser que nos fez muito felizes.
A Nina fazia uma festa quando chegávamos e sempre sabíamos quando um de nós se aproximava, pois ela corria para porta e começava a latir desesperadamente até que a porta se abrisse. Sabíamos quando a Renata estava chegando da escola, bem antes da van estacionar, pois a Nina começava a dar pequenos latidos que ficavam mais frequentes a medida que a van se aproximava e enquanto ela subia as escadas.

Ela dividia o espaço com a gente, subia no sofá e sentava no nosso colo quando estávamos todos juntos, não aceitava estarmos todos no sofá e ela não, ficava tentando subir desesperadamente. Quando deixávamos a porta do quarto da Renata aberta ela ia e deitava na cama, e quando acordávamos estava lá bem deitada ao lado dela. Outras vezes dormia ao pé da nossa cama, e quando acordávamos tínhamos de cuidar para não pisa-la (Assim nos acostumamos a sempre olhar no chão antes de levantar). Seguia a Márcia por toda a casa, era preciso ter cuidado para mudar de direção, pois ela estava sempre ali nos pés, e quando eu estava na mesa da sala usando o computador, como estou fazendo agora, vinha se deitar aos meus pés.

Nina nos deixou ontem, vitimada por uma insuficiência renal (A Veterinária disse que quando aparece o problema é porque já está com no mínimo 75% de comprometimento). Na sexta-feira corremos com ela para um Hospital veterinário, a internamos para tratamento, mas não obtivemos êxito. Confesso que ainda estou um pouco inconformado em não ter percebido o problema e agido antes, mas me culpar não resolverá nada, não reverterá o acontecido.

Pois é, lendo até aqui vocês podem imaginar como tem sido esse primeiro final de semana sem a Nina. Está tão vazio, e quase não consigo pensar em outra coisa (estou cheio de coisas para fazer), estamos tristes e saudosos.

Havia me esquecido o quanto dói a perda de nossos companheiros de estimação, vamos crescendo e esquecendo que na infância sofríamos com a perda dos nossos bichinhos, e mesmo sabendo que a Nina não viveria para sempre, não me preparei para isso.

Minha filha Renata fez esta publicação no Facebook. Foi brilhante!
A descrição dela é perfeita: "O sol não apareceu e a nossa casa amanheceu vazia, a tristeza tomou conta dos corpos dos moradores do nosso lar e três pessoas abatidas apareceram em nosso apartamento." 
Por mais racionais que sejamos, por mais maduros, não conseguimos deixar de ser impactados por essas perdas. Sou uma pessoa consciente da realidade humana, das pessoas que passam fome, das pessoas que perdem seus entes queridos, e que vivemos em um mundo de luta, repleto de dores e sofrimentos e que diante de muitos destes problemas o que é a vida de uma cachorrinha. Porém, respeitando todas as dores do mundo, acredito que a Nina merece esse meu reconhecimento, por tudo o que significou para nossa família nestes 10 anos que conviveu conosco, pelo carinho, pela companhia. 

A Nina viveu conosco, compartilhou das alegrias e tristezas e FOI AMADA!

Descanse em Paz “guriazinha”!  


Quando olhamos nossos álbuns de família podemos encontrar a presença constante em nossas recordações.
A Fotografia é mágica por  nos trazer o sentimento da imortalidade.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Qual o significado de um amigo?


Você deve estar se fazendo essa pergunta e provavelmente não achará uma resposta, pois os amigos se apresentam das formas mais diversas e inesperadas em nossas vidas, que é quase impossível descrever o que eles significam para a gente. A Amizade é atemporal, e não se enquadra nos padrões de tempo e distância, podemos descobrir um grande amigo em poucas horas, em alguns dias, bem como ele pode se revelar em anos de convivência. Ele pode estar bem próximo ou distante.

Hoje é Sexta-feira, dia 14 de Fevereiro e quero compartilhar uma história com vocês, muito apropriada para o dia.

Na terça-feira, dia 10 de Fevereiro, vivi a experiência de ficar algumas horas esperando atendimento na Emergência da Pediatria do Hospital Santo Antônio. Foram horas de espera, e de muita reflexão, pois observava cada pessoa que saia e entrava no ambiente, suas reações, seus sofrimentos. Se pudesse teria registrado cada minuto das horas que passei lá. Foram horas difíceis, não só pela enfermidade da minha filha, que não se apresentou grave, mas por ver as provações e os sofrimentos das mães em busca de atendimento para seus filhos. Mães dormindo em uma cadeira desconfortável com seus filhos doentes no colo, calou fundo em meu coração. Ingressamos lá por volta das 17h e saímos à 1h40min da manhã. Uma longa espera!

Chegamos em casa após as 2h da manhã, muito cansados, e encontramos em nossa porta um envelope. Provavelmente o entregador chegou lá, e como era muito grande para caber na caixa de correspondência, resolveu deixar na porta. Ele estava endereçado a mim, e a remetente era minha amiga Cibele, que conheci no Vida Urgente, e que no final do ano passado se mudou para Florianópolis. Sou um grande admirador dela e nutro grande carinho por ela, pelo Régis, seu companheiro, um amigo que foi grande parceiro na campanha, pelo Caetano, seu filho, que é uma criança muito especial, e também pela Liney, sua mãe, uma pessoa adorável, sensível e espiritualizada. São uma família amiga, querida por mim e por minha família.

Um caderno, uma cartinha e um cartão! O Carinho, o Capricho e a Amizade! Como esquecer?


Me aprecei em abrir o envelope, antes mesmo de fazer qualquer coisa, pois, atualmente, estamos muito desacostumados a receber cartas pelo correio. Pelo correio recebo muito boleto para pagar. Estava curioso para saber o que continha. Sou o tipo de pessoa que dá significado para as coisas e guardo, desde a adolescência, praticamente todas as correspondências especiais que recebi na vida, cartas, mensagens, telegramas, enfim.

Quando abri me deparei com um caderno, destes colegiais, do Garfield, com comentários sobre o excesso de peso, coisas do tipo: “Não sou gordo, sou baixo para meu peso.” Acompanhava uma carta da Cibele, um cartão da dona Liney, e na primeira página uma mensagem dela, do Régis e do Caetano. Tomo a liberdade, sem consultá-la, de reproduzir o texto da carta:

Serginho,
Estamos bem na época de “volta ás aulas”, comprando o material escolar do Caetano, escolhendo a capa do caderno, essas coisas...
Sempre gostei de material escolar! Gosto de arrumar, com muito carinho, o material do Caetano, colocar nome, apontar lápis.
Quando soubemos do teu retorno aos estudos, o que nos deixou muito felizes, pensei na hora em comprar alguma coisa prá ti também.
Então aqui vai um presente, que é mais uma brincadeira, mas que vai daqui com o nosso carinho. Pode ser utilizado onde quiseres, até em casa mesmo.
Vou deixar a “lancheira” para a Márcia preparar (hehehe...)!
Bons estudos! Bom Retorno! Sucesso!
Com nosso carinho, Cibele, Regis e Caetano
  
Não preciso dizer que toda a angústia da experiência que tivera horas antes, desapareceu em uma fração de segundos, é como se uma grande luz iluminasse tudo a minha volta e repusesse minha energia, fortalecendo meu espírito e me enchendo de esperança.

Estou desde quarta feira me programando para escrever, mas tarefas profissionais e o próprio cansaço me impediram que o fizesse. Não informei a Cibele que já recebi o seu carinhoso presente, portanto, não agradeci. Esperei. Gostaria de fazer dessa forma, para todos saberem da minha gratidão.

Hoje cheguei decidido a escrever, e agora, vejo uma mensagem dizendo que é o dia da Amizade. Pensei comigo: O que mais poderia fazer neste dia, para homenagear meu amigos, que já me proporcionaram tantos momentos felizes, senão compartilhar essa bela demonstração de amizade da Cibele e sua família?


Amizade é assim, não tem como explicar! Sabemos que ela está presente nas diversas demonstrações que recebemos. Simples, singelas, complexas, em momentos difíceis ou no compartilhar das alegrias, não importa, o certo é que elas se apresentam, quando menos esperamos, e fazem toda a diferença.

Ao agradecer a Cibele e sua família, agradeço todos os meus amigos que, durante toda a minha vida, me deram tantas e belas demonstrações de amizade como essa.

Obrigado Amigos! 

Esse caderno será o primeiro de minha vida acadêmica e estará comigo até o final do percurso, como um talismã! Mais uma lembrança de vocês, que sempre se fazem presentes. Não sei como agradecer! 

Deus os abençoe!


PS: Àqueles que por ventura não me conheçam, ou não estão me acompanhando faço uma pequena contextualização, para compreender o significado do caderno.

Tenho 44 anos, três filhas e dois netos. Em 2013, para incentivar e acompanhar minha filha caçula, que estava concluindo o ensino médio, fiz a prova do Enem, após mais de 20 anos sem estudar. Estava bastante desatualizado, até porque acabei não fazendo uma preparação, e fui apenas com os conteúdos aprendidos há duas décadas e os conhecimentos adquiridos ao longo da vida através de muita leitura. Obtive um desempenho mediano nas quatro áreas do conhecimento, e uma excelente nota na redação, 960 pontos, o que elevou minha média para 691 pontos. Foi uma surpresa total! Esse resultado abriu a possibilidade de me candidatar a uma vaga em um curso superior, o que, por vários motivos, ficou adiado por uma vida inteira, e não estava no meu horizonte, pelo menos em curto prazo.

Acalento um sonho antigo de ser professor, apesar da idade, e vi que se transformava em uma possibilidade concreta a partir deste resultado.

Passei a acompanhar as oportunidades oferecidas pelo governo federal. Não encontrei nenhuma vaga no Sisu, então aguardei o ProUni. Para minha surpresa, não havia nenhuma vaga disponível para a minha primeira opção, Ciências Sociais, e apenas 2 para a segunda opção, História, na minha cidade, Porto Alegre. Me escrevi para uma das duas vagas de História, e como segunda opção coloquei letras, que tinha uma vaga disponível.

Conforme minha renda familiar, tenho direito a uma bolsa de 50% no ProUni, porem, disputar apenas duas vagas tornava a tarefa mais difícil, pois esperava que, devido a escassez, teriam diversos candidatos (122 pessoas se candidataram para as 2 vagas). Minha filha do meio me aconselhou a acompanhar a nota de corte e tentar outros cursos, porém disse a ela: “Quero fazer algo que goste, sempre fiz isso em toda a minha vida, não imaginava ter essa oportunidade, já que tive, devo fazer aquilo que realmente gostaria, se Deus, de forma inesperada, me trouxe até aqui, que seja feita a vossa vontade.” 

Resultado: Fui o primeiro classificado nas duas opções, História e Letras, e dia 24 de Fevereiro inicio minhas aulas no Curso de Licenciatura de História.