sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Qual o significado de um amigo?


Você deve estar se fazendo essa pergunta e provavelmente não achará uma resposta, pois os amigos se apresentam das formas mais diversas e inesperadas em nossas vidas, que é quase impossível descrever o que eles significam para a gente. A Amizade é atemporal, e não se enquadra nos padrões de tempo e distância, podemos descobrir um grande amigo em poucas horas, em alguns dias, bem como ele pode se revelar em anos de convivência. Ele pode estar bem próximo ou distante.

Hoje é Sexta-feira, dia 14 de Fevereiro e quero compartilhar uma história com vocês, muito apropriada para o dia.

Na terça-feira, dia 10 de Fevereiro, vivi a experiência de ficar algumas horas esperando atendimento na Emergência da Pediatria do Hospital Santo Antônio. Foram horas de espera, e de muita reflexão, pois observava cada pessoa que saia e entrava no ambiente, suas reações, seus sofrimentos. Se pudesse teria registrado cada minuto das horas que passei lá. Foram horas difíceis, não só pela enfermidade da minha filha, que não se apresentou grave, mas por ver as provações e os sofrimentos das mães em busca de atendimento para seus filhos. Mães dormindo em uma cadeira desconfortável com seus filhos doentes no colo, calou fundo em meu coração. Ingressamos lá por volta das 17h e saímos à 1h40min da manhã. Uma longa espera!

Chegamos em casa após as 2h da manhã, muito cansados, e encontramos em nossa porta um envelope. Provavelmente o entregador chegou lá, e como era muito grande para caber na caixa de correspondência, resolveu deixar na porta. Ele estava endereçado a mim, e a remetente era minha amiga Cibele, que conheci no Vida Urgente, e que no final do ano passado se mudou para Florianópolis. Sou um grande admirador dela e nutro grande carinho por ela, pelo Régis, seu companheiro, um amigo que foi grande parceiro na campanha, pelo Caetano, seu filho, que é uma criança muito especial, e também pela Liney, sua mãe, uma pessoa adorável, sensível e espiritualizada. São uma família amiga, querida por mim e por minha família.

Um caderno, uma cartinha e um cartão! O Carinho, o Capricho e a Amizade! Como esquecer?


Me aprecei em abrir o envelope, antes mesmo de fazer qualquer coisa, pois, atualmente, estamos muito desacostumados a receber cartas pelo correio. Pelo correio recebo muito boleto para pagar. Estava curioso para saber o que continha. Sou o tipo de pessoa que dá significado para as coisas e guardo, desde a adolescência, praticamente todas as correspondências especiais que recebi na vida, cartas, mensagens, telegramas, enfim.

Quando abri me deparei com um caderno, destes colegiais, do Garfield, com comentários sobre o excesso de peso, coisas do tipo: “Não sou gordo, sou baixo para meu peso.” Acompanhava uma carta da Cibele, um cartão da dona Liney, e na primeira página uma mensagem dela, do Régis e do Caetano. Tomo a liberdade, sem consultá-la, de reproduzir o texto da carta:

Serginho,
Estamos bem na época de “volta ás aulas”, comprando o material escolar do Caetano, escolhendo a capa do caderno, essas coisas...
Sempre gostei de material escolar! Gosto de arrumar, com muito carinho, o material do Caetano, colocar nome, apontar lápis.
Quando soubemos do teu retorno aos estudos, o que nos deixou muito felizes, pensei na hora em comprar alguma coisa prá ti também.
Então aqui vai um presente, que é mais uma brincadeira, mas que vai daqui com o nosso carinho. Pode ser utilizado onde quiseres, até em casa mesmo.
Vou deixar a “lancheira” para a Márcia preparar (hehehe...)!
Bons estudos! Bom Retorno! Sucesso!
Com nosso carinho, Cibele, Regis e Caetano
  
Não preciso dizer que toda a angústia da experiência que tivera horas antes, desapareceu em uma fração de segundos, é como se uma grande luz iluminasse tudo a minha volta e repusesse minha energia, fortalecendo meu espírito e me enchendo de esperança.

Estou desde quarta feira me programando para escrever, mas tarefas profissionais e o próprio cansaço me impediram que o fizesse. Não informei a Cibele que já recebi o seu carinhoso presente, portanto, não agradeci. Esperei. Gostaria de fazer dessa forma, para todos saberem da minha gratidão.

Hoje cheguei decidido a escrever, e agora, vejo uma mensagem dizendo que é o dia da Amizade. Pensei comigo: O que mais poderia fazer neste dia, para homenagear meu amigos, que já me proporcionaram tantos momentos felizes, senão compartilhar essa bela demonstração de amizade da Cibele e sua família?


Amizade é assim, não tem como explicar! Sabemos que ela está presente nas diversas demonstrações que recebemos. Simples, singelas, complexas, em momentos difíceis ou no compartilhar das alegrias, não importa, o certo é que elas se apresentam, quando menos esperamos, e fazem toda a diferença.

Ao agradecer a Cibele e sua família, agradeço todos os meus amigos que, durante toda a minha vida, me deram tantas e belas demonstrações de amizade como essa.

Obrigado Amigos! 

Esse caderno será o primeiro de minha vida acadêmica e estará comigo até o final do percurso, como um talismã! Mais uma lembrança de vocês, que sempre se fazem presentes. Não sei como agradecer! 

Deus os abençoe!


PS: Àqueles que por ventura não me conheçam, ou não estão me acompanhando faço uma pequena contextualização, para compreender o significado do caderno.

Tenho 44 anos, três filhas e dois netos. Em 2013, para incentivar e acompanhar minha filha caçula, que estava concluindo o ensino médio, fiz a prova do Enem, após mais de 20 anos sem estudar. Estava bastante desatualizado, até porque acabei não fazendo uma preparação, e fui apenas com os conteúdos aprendidos há duas décadas e os conhecimentos adquiridos ao longo da vida através de muita leitura. Obtive um desempenho mediano nas quatro áreas do conhecimento, e uma excelente nota na redação, 960 pontos, o que elevou minha média para 691 pontos. Foi uma surpresa total! Esse resultado abriu a possibilidade de me candidatar a uma vaga em um curso superior, o que, por vários motivos, ficou adiado por uma vida inteira, e não estava no meu horizonte, pelo menos em curto prazo.

Acalento um sonho antigo de ser professor, apesar da idade, e vi que se transformava em uma possibilidade concreta a partir deste resultado.

Passei a acompanhar as oportunidades oferecidas pelo governo federal. Não encontrei nenhuma vaga no Sisu, então aguardei o ProUni. Para minha surpresa, não havia nenhuma vaga disponível para a minha primeira opção, Ciências Sociais, e apenas 2 para a segunda opção, História, na minha cidade, Porto Alegre. Me escrevi para uma das duas vagas de História, e como segunda opção coloquei letras, que tinha uma vaga disponível.

Conforme minha renda familiar, tenho direito a uma bolsa de 50% no ProUni, porem, disputar apenas duas vagas tornava a tarefa mais difícil, pois esperava que, devido a escassez, teriam diversos candidatos (122 pessoas se candidataram para as 2 vagas). Minha filha do meio me aconselhou a acompanhar a nota de corte e tentar outros cursos, porém disse a ela: “Quero fazer algo que goste, sempre fiz isso em toda a minha vida, não imaginava ter essa oportunidade, já que tive, devo fazer aquilo que realmente gostaria, se Deus, de forma inesperada, me trouxe até aqui, que seja feita a vossa vontade.” 

Resultado: Fui o primeiro classificado nas duas opções, História e Letras, e dia 24 de Fevereiro inicio minhas aulas no Curso de Licenciatura de História.  

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O poder das forças ocultas

Antes mesmo de eu nascer as “forças ocultas” já existiam, lembro até que um presidente do Brasil renunciou se dizendo pressionado pelas “forças ocultas” (Jânio Quadros em 1961).

Durante minha adolescência, juventude e até agora na fase adulta, com certa frequência me deparo com elas, o que gera em mim um impressionante desgaste mental tentando decifra-las e os seus efeitos nas pessoas.

Quando era criança, e também na adolescência, existia um “glamour” em fumar cigarro, era uma coisa impressionante ver as pessoas tossindo, tendo irritação na garganta mas se esforçando para aprender a fumar, pois era chic, e os adolescentes e até crianças chegavam a juntar baganas dos chãos para fumar, ou apenas fazer de conta que estavam fumando. Eu ficava olhando aquilo e não entendia, pois o cheiro era ruim, as pessoas que fumavam tinham os dentes todos amarelados, e muitos desenvolviam doenças que os levavam a morte, alguns inclusive morriam tentando se livrar do vicio que os aprisionava. Na televisão, nas novelas e nos comerciais o cigarro era idolatrado, e pessoas como eu, se sentiam verdadeiros ETs por não fumar, uns “otários”. Acontece que não via nenhum sentido naquilo, minha mente racional não compreendia o porquê de ter que se envenenar para parecer chic. Talvez por isso sou essa figura “brega” até hoje.

Com a bebida era a mesma coisa, e funciona até hoje, tipo: Beber é coisa de adulto! Então as crianças, e principalmente os adolescentes, que não veem a hora de serem adultos, começavam a beber desde cedo, muito jovens ainda, e quem não bebe é “criancinha”. Pior é que ainda funciona e talvez, por isso, tenhamos um número absurdo de alcoólatras em nosso país.

Com o tempo, o desenvolvimento da ciência, e com ela, também o desenvolvimento da inteligência humana, os seres humanos foram refletindo, pensando, fazendo cálculos, e perceberam que fumar não era legal, que mais trazia prejuízos do que benefícios, por isso começaram a criar restrições, pois se simplesmente banissem o cigarro, a sociedade entraria em colapso tamanha é a dependência que ele causa. Gostaria de prestassem bem atenção nesta palavra: DEPENDÊNCIA, que quer dizer Sujeição, Subordinação, pois ela é fundamental na mensagem que quero transmitir.

Também já se tentaram criar restrições á bebidas alcoólicas, como as do cigarro, porém, ambos, têm por trás grandes e poderosos conglomerados econômicos, são geradores de riquezas e produzem lucros incalculáveis. O “Estado”, principalmente de países capitalistas subdesenvolvidos e emergentes, como o nosso, são reféns, e impotentes diante de tanto poder econômico.

Porém, não eram só o cigarro e a bebida que me assombravam na adolescência e juventude. Havia também a famosa “Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha. Imaginem vocês: Jovem, militante do movimento estudantil, cabelo comprido, usando sandália e macacão e militante de organização de esquerda. Só pode ser maconheiro! E todos pensavam assim, tanto que nas revistas de rotina da polícia, eu sempre era selecionado, na rua, no ônibus, onde estivesse. Certa vez, em São Paulo, caminhando pela calçada, fui abordado, do nada pela ROTA. Até hoje não entendi porque àqueles caras gigantes, de 12 na mão, quase me quebraram todo em uma abordagem só por estar caminhando na rua.

Era assim que todos pensavam: Militante de esquerda, o pessoal das artes, músicos, atores, artistas em geral, estudantes universitários, tinham que fumar maconha porque aquilo era um símbolo da rebeldia, era como se fosse parte do vestuário destas classes, sem a qual não seriam autênticos. Eu, ser tudo o que descrevi, e não fumar maconha, era como se eu não fosse bom naquilo, como se eu fosse um intruso no meio, um ser “estranho”.

Mas nem uma provinha? Porque deveria provar? Eu respondia. Qual a necessidade que eu tenho de fazer algo que não me trará nenhum benefício, que não me fará bem, apenas para cumprir uma regra ou conceito que sequer sei como e porque foi criada?

"Até quando as forças ocultas irão determinar quem somos e o que fazemos?"

Pois é, “forças ocultas” estabelecem comportamentos, hábitos, costumes, que a maioria de nós segue sem questionar, e que de certa forma tolhe toda a individualidade e a nossa essência, pois passamos a representar um papel, ser o que querem que a gente seja, agir como querem que a gente aja. Para ser aceito no grupo e considerado “autêntico” somos obrigados a agir como os demais, nos vestir e nos comportar como os outros se comportam, caso contrário, seremos jogados na escuridão de não pertencer a lugar nenhum, a sermos rejeitados, excluídos, e às vezes até humilhados.

Não sei quando criaram, mas sei que sempre existiram, os rituais de passagem, as “provas de fidelidade” ou coisas do gênero. Estranhamente os grupos estão sempre exigindo que os indivíduos provem que podem fazer parte daquela “casta” e deles exigem que façam algo, geralmente que não fariam, digamos, de “sã consciência”. Fumar um baseado, cheirar uma coca, se tatuar, fazer um corte de cabelo estranho, tomar um porre, fazer pichações e vandalizar prédios privados e públicos, se mutilar, jogar coquetel molotov na policia, virar carro da imprensa, tocar fogo em ônibus, brigar na rua, enfim, parece que estamos sendo, a todo o momento, postos a prova, nos submetendo para poder pertencer a algo ou a algum grupo. Porque?

Os fortes resistem, os fracos sucumbem!

Ninguém = Ninguém
Engenheiros do Hawaii

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Por mais vagas de Licenciatura no PROUNI!

Se olharmos as vagas disponíveis no PROUNI veremos porque o Brasil se encontra na situação que está, principalmente a EDUCAÇÃO.

Fiz o ENEM 2013 e estou me candidatando a uma vaga de Licenciatura no PROUNI, pois quero realizar um velho sonho de me juntar a uma categoria que muito admiro: Quero ser professor!

Tenho 44 anos, pais de 3 filhas e tenho 2 netos. Sou fotógrafo a mais de 20 anos, profissão com a qual me sustentei e mantive minha família, juntamente com outras atividades que exerci ao longo da vida. Fiz o ENEM para acompanhar minha filha caçula e por ter alcançado uma boa nota em redação, 960 pontos, e uma média razoável, 691.94 pontos, resolvi me candidatar a uma bolsa do PROUNI para, enfim, reforçar o exército dos “educadores”. Qual não é minha surpresa? Existem muito poucas vagas de licenciatura em minha cidade, Porto Alegre/RS, muito embora tenhamos várias faculdades. Pela renda familiar, tenho direito a um desconto de 50% então comecei minha procura. Vejam o que encontrei:

Sociologia ou Ciências Sociais (Minha Primeira opção)  Integral: 0 vagas – Parcial: 0 vagas

História (Minha segunda opção) Integral: 2 vagas – Parcial: 2 vagas

Letras Língua Portuguesa (Minha terceira opção) Integral: 3 vagas – Parcial: 1 vaga

Letras Inglês - Integral: 11 vagas (EAD) – Parcial: 0 vagas

Letras Português e Inglês - Integral: 1 vaga – Parcial: 2 vagas

Matemática: Integral: 1 vaga – Parcial: 0 vagas

Geografia: Integral: 58 vagas (EAD) – Parcial: 0 vagas

Educação Física: Integral: 3 vagas – Parcial: 0 vagas

Filosofia: Integral: 1 vaga – Parcial: 0 vagas

Pedagogia: Integral: 103 vagas ( 66 delas EAD)– Parcial: 7 vagas

Resumindo: Em 10 Cursos de Licenciatura em Porto Alegre, existem 183 vagas de bolsas integrais, sendo 135 delas em Cursos a Distância (EAD) e só 48 presenciais, e 12 vagas de bolsas parciais de 50%, ou seja: Quase nada.


Resolvi então fazer uma comparação: Se resolvesse fazer administração eu teria: Integral: 68 vagas – Parcial: 49 vagas, mas, já que o país está cheio de problemas e se precisar exigir meus direitos terei que buscar um advogado e para o curso de Direito existem: Integral: 84 vagas – Parcial: 24 vagas, porém, se eu quiser trabalhar nas RBS ou em outro veículo de comunicação, poderei me candidatar ao Jornalismo: Integral: 28 vagas – Parcial: 3 vagas, mas se preferir o Marketing: Integral: 127 vagas – Parcial: 6 vagas ou Publicidade e Propaganda: Integral: 21 vagas – Parcial: 5 vagas terei vagas de sobra.

Quando olho esse resultado, sou tomado por uma profunda indignação, pois parece que sobra professor e falta Marqueteiro, e não o contrário. Será que pirei e estou vendo o mundo ao contrário?

Sei que as vagas são as universidades que oferecem, e também sei que os cursos de licenciatura são cada vez menos procurados, porém, entendo que o governo deva incentivar a oferta destas vagas, principalmente para os beneficiários dos programas governamentais, pois,fazer pessoas como eu, super a fim de encarar uma sala de aula, ter que disputar 3 vagas é uma ironia. Sim, foi o que me restou: O Curso de Sociologia não tem nenhuma vaga, História têm só 2 e letras 1. Tenho certeza que existem mais pessoas com o mesmo desejo e poderão ficar de fora pela baixa oferta de vagas. Enquanto isso, nossas escolas penam pela falta de professores.


Compartilhe e Divulguem! Quem sabe no próximo PROUNI tenhamos mais vagas para licenciatura. 

Precisamos de PROFESSORES! 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Eduardo Campos é o cara!


A Profissão que escolhi proporciona momentos especiais. Minha trajetória profissional está ligada a política, comecei fazendo meus primeiros registros na década de 80 com máquinas amadoras, registrando as atividades estudantis. A medida que o tempo passava, e as habilidades aumentavam fui tendo outras e importantes tarefas. Meu principal personagem retratado foi o inesquecível Leonel Brizola, de quem possuo considerável acervo e com quem aprendi muito sobre carisma e luz. 

Ontem tive a oportunidade e a responsabilidade de acompanhar o Governador de Pernambuco e Presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, em visita a Porto Alegre. É meu terceiro roteiro desempenhando esta função, e por isso acho que já posso tecer algum comentário sobre essa experiência, embora, em minha profissão, não tenha a tarefa de ouvir, nem de falar, apenas ver. Minha responsabilidade é transmitir em imagens os acontecimentos.




Eduardo Campos é uma pessoa especial, e com certeza, foi agraciado com um dom divino: O carisma! Em todo o período que o acompanhei, nunca, vejam bem! Nunca, o vi reclamar de algo, nunca vi mudar a fisionomia e mostrar algum descontentamento, sempre se mostrou uma pessoa humilde, acessível e atenciosa com todos. Eduardo Campos demonstra uma felicidade em viver, uma pessoa de bem com a vida, alegre, inteligente, e muito bem humorada, sempre com um causo para compartilhar com aqueles que estão a sua volta a fim de arrancar-lhes gargalhadas, é assim durante todo o tempo.

Porque registro isso? Porque sei reconhecer, nos outros, as qualidades que me são difíceis ter. Quisera eu ser carismático, bem humorado e tantas outras qualidades da qual não fui agraciado. Não sou uma pessoa infeliz, muito pelo contrário, me aceito e me respeito, não invejo o outro e tenho uma autoconfiança bastante elevada, porém, isso não me impede de reconhecer aquilo que Deus concedeu aos outros, suas qualidades e fortalezas. Para dizer a verdade, me dedico mais em ver as qualidades das pessoas do que suas fraquezas, coisas boas me seduzem muito mais do que as ruins e quando vejo e convivo com uma pessoa diferenciada, me sinto honrado.

Bom prolixo que sou, fiz tudo isso para dizer que não resisti em registrar um momento, já no final do dia, ao lado de duas pessoas que possuem qualidades muitos especiais que me faltam, mas que seus brilhos são tão fortes que acabaram transmitindo para mim. 

Não costumo sair bem em fotografias, até por ter o hábito de sempre estar do outro lado, geralmente saio sério ou com cara esquisita, porém nesta foto eu me senti bem, e me vi, como poucas vezes na vida, “bem na foto”. Obrigado Eduardo Campos e Beto Albuquerque, por me emprestarem seus brilhos, e obrigado Dani por registrar esse momento.



Essas duas fotos falam muito somo como é Eduardo Campos 


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sempre querendo nos manipular


O tempo vai passando, e cada dia mais a política vai se sofisticando, ficando mais parecida com o comercial de um produto qualquer. Se no passado, políticos com grande capacidade de inserção social, carisma e eloquência verbal eram fundamentais para o sucesso eleitoral, e os partidos investiam pesado na formação de quadros e na descoberta de novos talentos, hoje tudo mudou, e o sucesso eleitoral está muito ligado ao poder econômico e a capacidade do partido político contratar um publicitário, ou uma agência inteira de publicidade para fazer sua campanha.

As campanhas estão milionárias? Sim estão! E grande parte do valor gasto vai para sustentar a equipe de publicitários que é contratada, a peso de ouro, para vender um candidato como se vende um produto qualquer. Especializados em comportamento humano e experientes na arte de nos vender aquilo que não queremos comprar, os publicitários são cada vez mais ouvidos pelos políticos, e interferem, cada vez mais, naquilo que é dito e é feito pelos administradores.
Em resumo, os políticos não fazem mais o que é necessário fazer, mas aquilo que contribui para melhorar a sua imagem, pois o objetivo é simplesmente conquistar o poder e se manter nele.  Poucos são capazes de fazer algo que desagrade ao “publicitário mentor”.

Não é por menos que em grandes escândalos de corrupção como o Mensalão PTista e o valerioduto Tucano, o publicitário Marcos Valério está na linha de frente, comandando um grande esquema de desvios de dinheiro público. Estes casos não são isolados, existem muitos pelo Brasil. Aqui mesmo no Sul em 2010 foi desmantelado um esquema que teria desviado cerca de R$ 10 milhões do Banrisul com a participação das agências SLM e DCS. 
Por falar nisso, que fim deu esse caso? Abafaram?


Fui procurar alguns números para ver a força dos publicitários nas campanhas.
Campanha da Dilma 2010 – Arrecadação total R$ 135.530.844,32 Despesas R$ 153.093.181,16. Deste valor R$ 42 milhões foram para João Santana e sua empresa Pólis Propaganda e Marketing, ou seja, 31% do valor arrecadado na campanha. Recomendo a leitura da reportagem de época publicada em 04/10/2013 e veja como João Santana é uma das pessoas mais poderosas do Brasil, sim, pois se a maior autoridade do País, que é a Presidente da República, o escuta antes de tomar decisões importantes ele é alguém muito poderoso. http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/10/bjoao-santanab-o-homem-que-elegeu-seis-presidentes.html

Olhando a Prestação de contas da Campanha da Presidenta Dilma encontrei ainda outros valores interessantes:

R$ 2.615.100,00 para o IBOPE INTELIGENCIA PESQUISA, R$ 1.320.000,00 a CONSULTORIA LTDA VOX MERCADO PESQUISAS E PROJETOS LTDA e outros R$ 406.704,00 para OMA-ASSE. EM PESQ. DE OP. MERC. E AVAL. DE POLIT. PUBL. LTDA, ou seja, R$ 4.341.804,00 foram para institutos de pesquisas, 3,2% do total arrecadado na campanha.

Também encontrei R$ 2.364.478,00 para INFOLIBERO CONSULTORIA ESTRATÉGICA P/INTERNET LTDA de propriedade de Marcelo Branco responsável pela estratégia de Dilma nas Redes Sociais e mais R$ 4.040.000 a uma empresa chamada REALITY VOICE COMERCIAL E SERVIÇOS LTDA que me parece ser uma empresa de telemarketing, digo parece, pois não consegui informações precisas desta empresa na internet pois ela mudou de nome para TELLMED SERVICOS E SISTEMAS DE SAUDE LTDA e tem entre suas funções pesquisas de opinião e portanto pode ser também um instituto de pesquisa por telefone. Mas o importante é que mais R$ 6.381.478,00 ou 4,16% da arrecadação foram gastos com empresas de marketing e pesquisa.

Como podemos ver do total arrecadado para a campanha da Presidenta Dilma, 38% foram para a estratégia de comunicação. É preciso registrar que estes números são ainda maiores, pois fiz uma pesquisa muito superficial, selecionando apenas as despesas com 6 empresas que juntas totalizam R$ 52.339.578,00, uma verdadeira fortuna. A candidata Marina Silva, por exemplo, arrecadou um total de 24.108.859,74 em sua campanha a Presidência da República em 2010, menos da metade do que essas 6 empresas receberam).

Tudo isso para poder entender o que pensa o povo, o que ele está dizendo e para gerar uma estratégia publicitária que induza o povo a consumir o produto deles, que no caso é o candidato.

Não é a toa que nomes muito conhecidos da Publicidade Brasileira, como Nizan Guanaes, Duda Mendonça e João Santana se tornaram “gurus” de políticos.

Para um projeto vitorioso, hoje é preciso ter os elementos mostrados nas despesas de Dilma. Um bom marqueteiro, o constante acompanhamento através de pesquisas de opinião, para saber o que está colando ou não, e com a importância das redes sociais, uma empresa especializada em mídias digitais, para reproduzir sua política de marketing na internet. Sem esse investimento fica muito difícil alguém conseguir sucesso em um pleito eleitoral majoritário.

Funciona como uma marca, você paga mais caro por produtos que investem vultuosas somas de dinheiro em publicidade o que forma um ciclo vicioso que é mais ou menos assim: A empresa gasta X para produzir o produto e investe um valor, ainda maior, para divulgá-lo e transforma-lo em um produto sedutor do ponto de vista do marketing comercial, tudo isso para convencer o consumidor a adquirir aquele produto. O consumidor adquire o produto, por um valor muito maior do que o valor que seria normal, pois tem de pagar também toda a despesa que foi investida em publicidade para convencê-lo a comprar aquele produto.

Assim é com a política. Acabamos nos afastando dela, nos despolitizamos e acabamos “comprando gato por lebre” votando em candidatos que investiram gigantescas somas de dinheiro para contratar estruturas e manipularem tua opinião e lhe convencendo a comprar o “produto deles”.


A pergunta que faço: Quem você acha que paga essa conta?

PS: Recomendo também a leitura da reprodução do Artigo de Cleber Benvegnú que fiz neste blog http://www.testemunhaocular-blog.blogspot.com.br/2013/08/partidos-politicos-ou-sabonetes.html

domingo, 17 de novembro de 2013

Viva os Trabalhadores do Brasil

Hoje se encerra o feriado de Proclamação da República. Em épocas de redes sociais, acompanho a programação de muitos de meus amigos durante o feriadão, viajando, na praia, fazendo churrasco, curtindo muito o feriado, e todos sem exceção, exaltam a vida nestes momentos.  Poucas coisas deixam as pessoas tão felizes do que o Dolce far niente de aproveitar o lazer. Por isso, as pessoas adoram tanto os feriados.

Mas não foi para falar das múltiplas atividades de lazer de meus amigos que estou escrevendo. O que me inspirou a escrever foi que hoje, pela manhã, por volta de 6h00 fui desempenhar minhas atividades de pai, e buscar minha filha na casa de um colega, onde fizeram uma festa esta noite.

Quem é pai sabe como é, dorme-se pouco e acorda na madrugada para buscá-los. Este final de semana redobrei os cuidados, pois estou impactado com o que aconteceu com um pai que foi buscar a filha em uma festa e teve seu carro atingido por outro motorista, causando a morte prematura de uma adolescente de 15 anos. Pensava o tempo todo nisso, em como sentimos que estamos garantindo a segurança de nossos filhos desempenhando, nós mesmos, a função de levar e buscar nossos filhos nas suas atividades noturnas. É duro saber que esse esforço todo não garante nada, se do outro lado tiver alguém que não está se importando com isso, que conduz seu veículo sem se preocupar com a sua segurança e a de terceiros.

Mas, também não foi por isso que resolvi escrever. O que me motivou, foi o grande número de pessoas que vi nas paradas de ônibus durante o percurso, pessoas que estavam indo ou retornando do trabalho. Pessoas com uniformes de empresas, trabalhadores em geral. Pessoas para quem o feriado não foi de descanso, mas de trabalho. Poucas sorriam, o que contrastava com as imagens de meus amigos que estavam aproveitando o feriado. Imaginava eu o que se passava na cabeça destas pessoas e em quantas delas gostariam de estar aproveitando o feriado à beira de uma praia qualquer.

O mundo do trabalho tem disso, nem sempre o final de semana tem o mesmo significado para todos, para uns é lazer, para outros é trabalho. Pela natureza de minha profissão de fotógrafo, sempre foi rotina trabalhar enquanto os outros curtem, assim como os garçons, os recreacionistas e tantos outros profissionais da área de festas, nossa função era trabalhar para que as pessoas pudessem aproveitar, e o lazer delas é nosso trabalho. Eu sempre trabalhei os sete dias da semana e talvez por isso, dificilmente enfrente horas no trânsito para poder passar uns dias na praia. Com o tempo, mesmo a contragosto, minha família foi se acostumando a isso.

Sempre me incomodaram as pessoas que trabalham e ficam pensando quando é o próximo feriado. No verão é uma loucura, temos no máximo três dias úteis, pois segunda os caras estão detonados do final de semana e produzem pouco, e na sexta-feira só pensam em acabar o expediente para irem para praia, assim terça, quarta e quinta são os melhores dias, os outros uma dureza.

A única coisa que sempre me incomodou, mais do que isso, é que a maioria das pessoas deseja esse descanso apenas para elas e para os seus, para os outros ela quer trabalho. Ela quer ter um restaurante aberto, um ônibus, táxi, avião, funcionando, um supermercado aberto. O mesmo direito a lazer não é concedido aos demais. Quando falamos em fechar o comércio aos domingos, sempre há resistência, pois para muitas pessoas, não há graça nenhuma em “folgar” se não tem ninguém para servi-lo, para lhe atender.

Mas, também o meu objetivo não é fazer uma crítica a esse modo de pensar, e nem aprofundar essa questão, o que demandaria mais argumentos e uma analise mais profunda. O Objetivo real é reconhecer e agradecer as pessoas que trabalham enquanto os outros descansam, que privam-se de estar com suas famílias aos finais de semana e feriados, para manter o roda andando. Pessoas que mesmo em um domingo de final de feriado, as 6h00 da manhã estão a postos para cumprir com o seu dever, exercer seu trabalho, com dignidade. 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O valor venal das pessoas

Hoje é véspera de feriado da Proclamação da República e ontem li o desabafo de uma amiga no Facebook que dizia o seguinte: “Enquanto uns competem carro e beleza, outros se unem em favor da sobrevivência. Será apenas uma realidade cruel? Ou será consequência da própria miséria (ética/moral/intelectual) que o homem se encontra na atualidade? Tá tudo tão errado que não sei nem por onde começar. Chega a doer. Até quando..?

Não sei do que ela falava especificamente, mas estava incomodada com aquilo que ela chamou de miséria (ética/moral/intelectual). Há pouco mais de 2 anos retornei a militar em um partido político, e neste período tenho tentado me adaptar aos “novos tempos” o que, confesso, não tem sido nada fácil, pois os partidos políticos são parte de nossa sociedade e portanto sofrem dos mesmos problemas. Enganam-se aqueles que acham que são coisas separadas.

Quando comecei a fazer política, na década de 80, nossos sonhos políticos eram imensos, pois queríamos mudar o mundo, e nossos objetivos materiais mínimos, tendo um pão e um pouco de água, saíamos daqui e íamos para Brasília protestar. Assim como no comercial do cartão de crédito, algumas coisas não tinham preço (ideais, ética, moral, companheirismo, solidariedade, eram algumas destas coisas que dinheiro nenhum comprava). Infelizmente isso mudou. Hoje tem muita gente trocando moral por Iphone e outros tantos valores importantes por qualquer quinquilharia. Me faz lembrar o período do descobrimento, quando os portugueses levavam nossas riquezas em troca de colares e espelhinhos.

A política está assim, mas, porque a sociedade está assim. As pessoas esqueceram que nosso trabalho pode ter um preço, e cada um estipula o seu. Quanto vale uma hora de teu trabalho? Porém, seus valores, sua integridade, sua honestidade, sua moral, seus ideais e sua alma, não poderiam ser vendidos por preço nenhum, pois, depois que vendê-los, não haverá dinheiro no mundo que lhe proporcione comprá-los de volta.


Sempre falo, sob protesto de alguns amigos, que o Capitalismo é um sistema perverso que corrompe a alma das pessoas, e a cada dia que passa acho essa frase mais verdadeira, bastando apenas analisar fatos cotidianos da vida que vivemos.

Quantas pessoas você conhece que, mesmo ganhando um salário pequeno ou trabalhando naquilo que não gostam, fariam “qualquer coisa” para se manter no emprego?

Quantas pessoas você conhece que fazem um gato na NET para não pagar R$ 100,00 pelo pacote mensal?

Não quero dimensionar o que é certo ou o que é errado, pois isso é relativo ao conjunto de valores pessoais de cada um de nós, mas quero que se perguntem o que realmente tem valor em nossas vidas e qual o valor que damos para estas coisas.
Qual o valor das pessoas?
Qual o valor da vida? Essa é de resposta fácil, todos sempre respondem que a vida não tem preço, porém, nunca se perguntam sobre o valor da vida que se leva. Quanto pagamos em sofrimento, em tristeza, pela vida que levamos?
Quanto pagamos para manter um sistema e um estado de coisas que nos faz infeliz? Quanto vale a nossa felicidade?
Qual o valor que pagaríamos para andar de cabeça erguida, dar bom exemplo aos filhos e ter orgulho do que somos?
Quanto pagaríamos para compreender qual o verdadeiro sentido da felicidade?

Precisamos, de forma individual e coletiva, descobrir o valor das coisas, saber o que é possível ser comprado e aquilo que não tem preço. Enquanto isso não acontecer teremos que fazer a pergunta que minha amiga fez, sem encontrarmos a resposta: Até quando?